quinta-feira, 30 de junho de 2016

Novidade no ar!! Book Lovers Kids!!

Quem mora nas cidades menores do interior normalmente não tem acesso a uma grande variedade de livros e eventos culturais. Na cidade onde eu moro, por exemplo, há poucas livrarias, peças de teatro aparecem de vez em quando, não há shoppings e só temos um cinema.
Pensando nisso, a BookLovers Kids, feira de livros que acontece nos melhores shoppings do país e que deu origem a este blog, acaba de lançar seu e-commerce, onde vários títulos estão à disposição de todos, em qualquer lugar do Brasil, com preços incríveis. São livros para todos os gostos e idades. E para adquiri-los é simples, basta se cadastrar no site Book Lovers Kids e escolher a vontade. O único problema, aliás, é este: escolher! Tem tanto livro bacana que é complicado escolher um ou dois apenas.
Como muito já disse aqui, a leitura traz inúmeros benefícios para o desenvolvimento das crianças, e porque não dizer, dos adolescentes e adultos de todas as idades. Ler é viajar!!
Corra para a Book LoversKids e escolha os seus livros!






segunda-feira, 27 de junho de 2016

O verdadeiro sentido da Educação Infantil


          Há tanto tempo trabalhando na área da educação, venho me surpreendendo com as transformações que tem acontecido nas escolas de educação infantil. Crianças de 3 anos que já escrevem seu nome, reconhecem todo o alfabeto, contam até 30 com desenvoltura, e algumas até arriscam umas palavrinhas em inglês. Qualquer um que se depare com uma criança assim pensará imediatamente: Uau! Que esperta! Mas não é bem assim.
Para começar, quais são os objetivos da educação infantil? Quais os conhecimentos e metas que essa etapa do ensino propõe?
De acordo com o Referencial Curricular Nacional (RCNEI Vol.1, pág.63), elaborado pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) os objetivos gerais da educação infantil são:
• desenvolver uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas capacidades e percepção de suas limitações;
• descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo, suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bem-estar;
• estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social;
• estabelecer e ampliar cada vez mais as relações sociais, aprendendo aos poucos a articular seus interesses e pontos de vista com os demais, respeitando a diversidade e desenvolvendo atitudes de ajuda e colaboração;
• observar e explorar o ambiente com atitude de curiosidade, percebendo-se cada vez mais como integrante, dependente e agente transformador do meio ambiente e valorizando atitudes que contribuam para sua conservação;
• brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades;
• utilizar as diferentes linguagens (corporal, musical, plástica, oral e escrita) ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressar suas ideias, sentimentos, necessidades e desejos e avançar no seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva;
• conhecer algumas manifestações culturais, demonstrando atitudes de interesse, respeito e participação frente a elas e valorizando a diversidade.

Resumindo, na educação infantil, o que se pretende desenvolver nas crianças é a autonomia, a linguagem, a socialização, a comunicação, a curiosidade, o controle das emoções e o conhecimento de si mesmo. É claro que aos 4 anos é importante que as primeiras letras e números sejam apresentados, que o primeiro nome da criança seja trabalhado para que a ela saiba reconhecê-lo, e até para escrevê-lo, mas o que tem acontecido é a alfabetização propriamente dita das crianças. E o que resulta disso é que os objetivos reais estão sendo deixados de lado.
Falando de forma prática, a escola tem se tornado um lugar de aprender a ler, escrever e calcular. As crianças copiam tudo com uma letra linda, mas não sabem pular corda, não conseguem expressar suas emoções de forma adequada, não têm uma imagem bem formada de si mesmas, não conseguem se organizar, não sabem se localizar no espaço e nunca ouviram falar de corre-cotia ou barra manteiga.
A escola de educação infantil também precisa ser um lugar de brincar, de compartilhar e fazer amigos. É nessa fase, de zero a seis anos, que a personalidade da criança está se formando. E todos os valores e aprendizados que a criança adquirir nesta idade, influenciarão sua vida inteira.
É tarefa dos pais escolher uma escola onde seus filhos tenham a oportunidade de brincar, de aprender a conviver com seus coleguinhas, de descobrir coisas novas e mágicas como, por exemplo, “como vivem as formiguinhas” ou como a bela borboleta, um dia foi uma lagarta.
A escola de educação infantil precisa ir muito além das letras e números, ela deve ter o poder de encantar, de despertar os sonhos e fantasias das crianças, de multiplicar alegria, dividir emoções, somar descobertas e subtrair as angústias e inseguranças comuns desta fase.
Para completar esse assunto, compartilho um belíssimo texto de Robert Fulghum, que descreve exatamente como a escola de educação infantil nos ensina coisas para a vida inteira.

TUDO QUE EU PRECISO SABER APRENDI NO JARDIM DA INFÂNCIA.
De: Robert Fulghum

Tudo o que eu preciso saber sobre a vida, o que fazer e como ser, eu aprendi no jardim da infância. A sabedoria não estava no topo da montanha do conhecimento que é a faculdade, mas sim, no alto do monte de areia do Jardim da Infância.
Essas são algumas coisas que aprendi:
Dividir tudo. Ser justo. Não machucar ninguém. Colocar as coisas de volta no lugar de onde foram tiradas. Arrumar a própria bagunça. Nunca pegar o que não é seu. Pedir desculpas sempre que magoar alguém. Lavar as mãos antes das refeições. Dar descarga. Leite com bolachas fazem bem a nossa saúde.
Viver uma vida balanceada: Aprender um pouco, desenhar um pouco, pintar um pouco, cantar um pouco, brincar um pouco e trabalhar um pouco todos os dias. Tirar uma soneca todas as tardes. Quando sair na rua, olhar os carros, dar as mãos e ficar junto.
Lembra daquela sementinha de feijão no potinho de Danone? As raízes crescem para cima e ninguém sabe com certeza como ou porque, mas todos são exatamente como ela.
Peixinhos, passarinhos, gatinhos e cachorrinhos e até a sementinha de feijão todos morrem, assim como nós. E então se lembre dos livros de Chapeuzinho Vermelho e das primeiras palavras que você aprendeu. As maiores de todas: Mamãe e Papai.
Tudo o que você precisa está lá em algum lugar. Regras sobre a vida, o amor, saneamento básico, ecologia, política, igualdade e fraternidade.
Pegue qualquer um desses termos e extrapole para sofisticadas palavras da linguagem adulta e então aplique em sua vida familiar, trabalho, governo ou mundo, e tudo continua firme e verdadeiro.
Pense como o mundo seria melhor se todos nós – o mundo inteiro - tomasse leite com bolachas às três da tarde, todas as tardes e depois deitássemos com nossos travesseirinhos no sofá da sala para uma soneca.
Ou então, se todos os governos tivessem como política básica sempre colocar as coisas de volta no lugar de onde foram tiradas e também sempre arrumar suas próprias bagunças.

E continua verdade, não importa a idade, quando sair para o mundo dê as mãos e fique junto.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Festas juninas: sua origem e transformação através do tempo

Todo ano é a mesma história: as escolas organizam grandes festas juninas, com apresentação de danças pelas crianças e muitos quitutes típicos desta festa. É um momento importante de interação e diversão entre escola e família. Acontece que, para os católicos, as festas existem para comemorar os dias dos santos  Pedro, João e Antônio, e por esse motivo famílias de outras religiões não participam e nem deixam suas crianças participarem. Isso gera uma grande frustração nelas que, na maioria das vezes, nem sabem o motivo de não poderem participar.
Às escolas, cabe o papel de respeitar as diversas religiões, e explicando às famílias que a festa é uma tradição folclórica e que nas escolas não tem como tema os santos católicos, já que moramos em um país laico (país ou nação com uma posição neutra no campo religioso). Para entender melhor, vamos conhecer a origem dessa festa:
Muito antes do cristianismo, os povos do hemisfério norte celebravam o Solstício de Verão, o dia mais curto e a noite mais longa do ano, que acontece nos dias 21 ou 22 de junho. Nessas celebrações, aconteciam rituais para pedirem fertilidade, sucesso e fartura nas colheitas.
            Há relatos de que os índios que habitavam o Brasil antes da chegada dos portugueses faziam diversos rituais no mês de junho, também ligados à colheita, ainda que aqui esse mês marque a chegada do inverno. Nesses rituais indígenas havia muita música, danças e comidas.
Até o século X, as festas juninas eram assim, cultos e celebrações ligados à agricultura e a fertilidade.
Ocorre que, principalmente os rituais de fertilidade passaram a incomodar a igreja católica, que sem conseguir contê-los, decidiu transformar essas celebrações pagãs em cristãs, homenageando os três santos no mesmo mês.
No Brasil, quando os portugueses chegaram, os jesuítas se dedicaram a converter os nativos e com isso as tradições indígenas foram se perdendo. Porém nas nossas festas juninas, muitas comidas típicas tem sua origem na culinária indígena como a pipoca, o pau a pique e a pamonha.
Com o tempo, as festas juninas foram perdendo suas características: não há mais fogueiras, é proibido soltar balões, pois eles podem causar incêndios, e as comidas típicas deram lugar ao churrasquinho, ao cachorro-quente, ao pastel e a pizza. Nas escolas não se pode vender bebidas alcoólicas, e, portanto lá se vão o quentão e o vinho quente.
Ainda que essas transformações (seriam “modernizações”?) tenham mudado um pouco as festas, elas ainda continuam coloridas e muito animadas. As mais tradicionais do Brasil ocorrem no Norte e Nordeste. Nesse mês de junho, essas regiões ficam lotadas de turistas de todos os lugares do Brasil e do mundo que vão para conhecer e aproveitar as festas juninas. As mais famosas são as de Caruaru e Campina Grande.
Para quem gosta dessas tradições, hoje, 24/06, é dia de São João e com certeza deve haver muitas festas juninas na sua cidade. Tome coragem para sair de casa nesse frio e aproveite!

Para saber mais:

A Revista Mundo Estranho, ed. 16, traz um resumo escrito por Cíntia Cristina da Silva, de todos os elementos contidos nas festas juninas, sua origem e significado:

Arraial multicultural

Tradições européias e indígenas se misturam nessas divertidas comemorações

Dança à francesa
A quadrilha tem origem francesa, nas contradanças de salão do século 17. Em pares, os dançarinos faziam uma seqüência coreografada de movimentos alegres. O estilo chegou ao Brasil no século 19, trazido pelos nobres portugueses, e foi sendo adaptado até fazer sucesso nas festas juninas.
Recado pela fogueira
A fogueira já estava presente nas celebrações juninas feitas por pagãos e indígenas, mas também ganhou uma explicação cristã: Santa Isabel (mãe de São João Batista) disse à Virgem Maria (mãe de Jesus) que quando São João nascesse acenderia uma fogueira para avisá-la. Maria viu as chamas de longe e foi visitar a criança recém-nascida.
Sons regionais
As músicas juninas variam de uma região para outra. No Nordeste, as composições do sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga são as mais famosas. Já no Sudeste, compositores como João de Barro e Adalberto Ribeiro ("Capelinha de Melão") e Lamartine Babo ("Isto é lá com Santo Antônio") fazem sucesso em volta da fogueira.
Abençoadas simpatias
Os três santos homenageados em junho - Santo Antônio, São João Batista e São Pedro - inspiram não só novenas e rezas, como também várias simpatias. Acredita-se, por exemplo, que os balões levam pedidos para São João. Mas Santo Antônio é o mais requisitado, por seu "poder" de casar moças solteiras.
Comilança nativa
A comida típica das festas é quase toda à base de grãos e raízes que nossos índios cultivavam, como milho, amendoim, batata-doce e mandioca. A colonização portuguesa adicionou novos ingredientes e hoje o cardápio ideal tem milho verde, bolo de fubá, pé-de-moleque, quentão, pipoca e outras gostosuras.




quarta-feira, 22 de junho de 2016

Violência: até quando ficaremos presos

Não há como fugir: seja na TV, nos tabloides ou na internet, os casos de violência reinam soberanos. As empresas de segurança se multiplicam, e as casas e condomínios vão se tornando verdadeiras prisões. Sim, eu e você, que nos levantamos cedo para trabalhar todos os dias, que pagamos nossas contas com nosso dinheiro ganho através desse trabalho, que temos carro, computador, TV bacana, porque lutamos para comprar, estamos presos dentro de nossas casas. Os hábitos vão mudando dia após dia: as crianças já não brincam mais nas ruas, os jovens não se reúnem nos portões de casa, sair à noite só se for por doença ou algo muito urgente. As pessoas vivem assustadas e desconfiadas. Qualquer movimento diferente de alguém na rua é motivo para um sobressalto. Mal vemos nossos vizinhos. Vivemos trancados e com medo.
E se não bastassem as notícias que vem de todos os lados, nos chegam as histórias de pessoas mais próximas: a casa de um amigo que foi assaltada, o vizinho que caiu em um golpe de estelionatários, o menino que foi agredido perto da escola do seu filho para ter seu celular levado, o dono do bar do bairro onde você mora que foi assassinado e por aí vai. Morando numa cidade do interior, há 20 anos não se escutava nada disso. Saíamos à noite, chegávamos em casa de madrugada, eu mesma voltava caminhando da faculdade, sem temores nem sustos. Nos grandes centros urbanos, a situação é ainda pior.
A violência está em todos os lugares e atinge todas as classes sociais. Seja no trânsito ou no transporte urbano, no centro das cidades ou na periferia. Ninguém escapa mais.
E por trás de tudo isso, o que vemos cada vez em maior número, são menores de idade praticando crimes hediondos ou não e que continuam nas ruas, pois as leis do nosso país os protege. Eles têm 12, 13 ou 17 anos e 10 meses, e não podem ser presos. Quando muito, através do pedido de algum político influente, são internados em instituições para menores, mal preparadas, e lá aprendem a serem criminosos “melhores”, mais astutos.Esse é o nosso sistema. E é por ele que estamos a cada dia nos tornando os prisioneiros, dentro de nossas próprias casas.

Está tudo do lado avesso: os honestos são tomados por idiotas, os corruptos são aplaudidos, os bandidos estão soltos, e nossas famílias estão presas. O que era bom ficou ruim.
As crianças que tinham medo das bruxas e do lobo mau, agora tem medo é do “homem mau” que rouba e fere as pessoas. Os pais, querendo proteger os filhos e ensiná-los a se defender, acabam criando crianças ansiosas, assustadas e com medo de tudo e de todos. É quase uma paranoia. É importante que os pais conversem com as crianças sobre a violência, mas que ao mesmo tempo ofereçam proteção, para que elas não se sintam vulneráveis.
A violência tem afetado diretamente nossa qualidade de vida, e infelizmente nada podemos fazer, a não ser nos precaver. No Jornal O Tempo, que circula em Belo Horizonte, uma matéria trouxe algumas dicas dadas pela Polícia Militar, confira:

Dicas da polícia

Objetos. Evitar andar com objetos valiosos à vista, como eletrônicos e correntes de ouro. Ao estacionar o carro, nunca deixe objetos visíveis, principalmente os de valor.
Ambiente. Evitar locais escuros e isolados. Antes de entrar em casa, observe se há movimentação estranha na região. Se perceber algo, passe direto e ligue para a polícia.
Placas. Se visualizar as placas de motocicletas e carros usados nos assaltos, informe à Polícia Militar (PM) imediatamente.

Esteja alerta todo o tempo. Observe pessoas suspeitas, aproximações incomuns, movimentação estranha e, na dúvida, afaste-se.

E cuide, em primeiro lugar, de você e da sua família. Seu carro e seus bens que por ventura forem roubados poderão ser recuperados ou substituídos. Mas a sua vida é única, e é ela que realmente tem valor.







segunda-feira, 20 de junho de 2016

Comportamento agressivo em crianças de 2 a 5 anos

           Tenho acompanhado diariamente o comportamento de crianças de 2 a 5 anos que apresentam agressividade, hiperatividade, falta de concentração e irritabilidade. Nessa idade ainda não podemos diagnosticá-las como portadoras de distúrbios comportamentais como TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade). O que devemos fazer é observar e conversar com os pais a fim de perceber se há algum fator externo que esteja desencadeando tais comportamentos.
Em alguns casos, as crianças apenas estão se habituando a conviver com as outras, geralmente são filhas únicas, que convivem somente com adultos. Outras crianças presenciam violência em casa, seja verbal ou física. E outras ainda estão manifestando comportamento agressivo por influência de filmes, jogos de vídeo game ou brincadeiras de luta com os pais (nesse caso, especialmente os meninos). Se junta a isso o fato de que muitas famílias têm se desestruturado, algumas crianças são rejeitadas desde o ventre da mãe, outras se encontram sob os cuidados de tutores quando são retiradas de sua família biológica, enfim, os fatores sociais também influenciam (e muito!) nessa questão comportamental.
Durante as conversas com os pais, relatamos os comportamentos que a criança vem apresentando na escola e acabamos “descobrindo” algumas dessas causas.
O cérebro da criança não está preparado para diferenciar a fantasia da realidade. E é por isso que, muitas vezes, o que parece um desenho inocente acaba se tornando um grande problema. E o mesmo acontece com os jogos e as brincadeiras de pai e filho. A criança traz para a sua realidade, as atitudes observadas nas personagens que assiste. Então, o menino pensa que pode agir como o Homem-Aranha, as meninas são Super Poderosas, e assim vão “lutando” contra o mal, agredindo os colegas como se eles fossem os vilões.
Há outro lado também que são as novelas. Atualmente os enredos estão altamente sensualizados, e as crianças chegam à escola falando em namoros, beijos e casamento, assuntos que estão longe de pertencer ao seu universo. Existe uma “erotização” cada vez mais precoce das crianças, por conta dos conteúdos inadequados que assistem na TV. E às vezes os pais agem inocentemente, vendo novelas e filmes que são impróprios para as crianças enquanto elas estão por perto, brincando. Esquecem-se de que elas observam e captam todas as informações ao seu redor, e que vão copiar os comportamentos que estão assistindo.
Tenho observado também que em muitos casos, a causa da agressividade infantil é o excesso de proteção dos pais (veja, a falta de proteção é prejudicial, porém o excesso dela também prejudica!). Pais superprotetores costumam ser mais liberais e condescendentes na criação dos filhos. A princípio, quando a criança está convivendo apenas com sua família, pode parecer que está tudo bem. Porém, quando há o ingresso na escola, ela tenderá a exigir dos outros os mesmos privilégios que tem com os pais. O que resulta dessa situação são crianças egoístas, que querem ser sempre as primeiras em todas as atividades, que não dividem ou compartilham brinquedos, impacientes, e que desenvolvem um comportamento agressivo para conseguirem o que desejam. Esses pequenos são em casa, verdadeiros “reizinhos”: os pais, avós, tios, irmãos mais velhos e todos da família satisfazem os seus desejos inteiramente e na hora em que aparecem. E então, as crianças vão para a escola (ou o clube, igreja e onde mais possam conviver com seus “iguais”) e surgem todos esses problemas. Mas a questão da superproteção será tratada em outro post.
Para completar, vale lembrar que, segundo Freud, pai da psicanálise, desde o nascimento até por volta dos 18 meses (às vezes um pouco mais) as crianças estão na fase oral do desenvolvimento psicossexual, quando todas as manifestações de prazer, carinho, raiva ou satisfação de suas necessidades se concentram em sua boca (lábios, língua e mais tarde os dentes). Nessa fase também, a criança só compreende a dor quando a sente em si mesma, identificando assim os limites entre o seu corpo e o meio em que vive.
A agressividade infantil está intimamente ligada à dificuldade que criança tem de se expressar, de usar argumentos para conseguir aquilo que deseja. Ela ainda não sabe negociar. Portanto, os pais devem ensinar às crianças a dialogar, expressando seus desejos através da linguagem. Jamais estimule sua criança a “descontar” uma agressão. Violência gera violência, e se você não gosta que sua criança chegue em casa machucada, deve pensar que outros pais também não vão gostar.
Acredite, é um “ajustamento” de comportamentos para se viver em sociedade. E vai passar. E caso não passe, procure a ajuda de um terapeuta para que ele possa, de forma profissional, auxiliar sua criança a superar a agressividade que apresenta em seu convívio com os outros.



Para saber mais, assista ao vídeo da psicóloga Daniella Freixo de Faria “CriançasAgressivas” 


sábado, 18 de junho de 2016

Antigamente: entre orelhões e smartphones

Dois homens conversam em um café no centro da cidade. O clima está frio e seco, mas o café está deliciosamente quente. Conversa vai, conversa vem, começa uma sessão de nostalgia que iria durar horas.
- Lembra-se dos orelhões? Antigamente bastava uma ficha telefônica e falávamos com quem quiséssemos.
- Sim, uma vez gastei uma dúzia de fichas DDD para falar com minha namorada que estava viajando.
- É, hoje em dia todo mundo tem seu próprio telefone celular. E pode ser encontrado a qualquer momento e em qualquer lugar.
- Essa talvez seja a parte ruim dos celulares. Não temos mais privacidade! Esteja onde estiver sempre vão te encontrar.
- A parte boa é que quando você não quer que te encontrem basta desligar o aparelho.
- Ah, mas aí bate uma preocupação, um medo de que algo grave aconteça e que ninguém vai conseguir te achar. Pesa a consciência.
- Verdade, estamos presos à tecnologia.
E a conversa sobre os celulares e a vida foi longe...
A tecnologia está aí para nos auxiliar, mas até que ponto as relações humanas têm mudado por causa dela?
Estar disponível 24h por dia no celular, Whatsapp, Facebook, Instagram, tem sido realmente valoroso para nós?
Vemos nos bares e lanchonetes mesas cheias de jovens, cada qual com seu smartphone. Ninguém conversa, ninguém ri junto. Vez ou outra um levanta a cabeça e diz: vou compartilhar com vocês essa piada, muito boa!! E fazem um monte de selfies com os amigos, todos sorrindo felizes. Mas não há mais troca, não há diálogo, não há riso solto, compartilhado de verdade, as relações estão cada dia mais superficiais. Conversamos mais com quem está “online” do que com nossos pais, nossos filhos, nossos colegas de escola ou de trabalho. Damos bom dia para o grupo do whatsapp, mas nem enxergamos o porteiro do prédio. Consolamos o amigo virtual, mas não temos tempo de ligar para o amigo real. As relações humanas têm mudado de lugar.
E estamos tão habituados a estar conectados dia e noite, que só o fato de pensar em ficar sem internet já nos causa angústia.
Precisamos aprender a “desplugar”. Deixar o celular no modo silencioso à noite, durante as refeições, ou durante um encontro com os amigos. Resgatar prazeres como a leitura... Quer coisa mais gostosa do que cheiro de livro novo sendo folheado pela primeira vez? Ler devagarinho, degustando cada palavra, deixando de lado o mundo inteiro para viver aquele momento mágico.
Deveriam criar regras de etiqueta para o uso dos celulares: se está conversando com alguém, tire os olhos do telefone e olhe para a pessoa. Se for jantar com os amigos, deixe o celular na bolsa (é até mais seguro!) e converse. Se estiver na igreja, teatro, cinema, palestra, escola ou qualquer lugar parecido, coloque o celular no modo silencioso, ou desligue mesmo. Seja educado e atencioso com as pessoas. Dê-lhes atenção. Aproveite os encontros com sua família e seus amigos para estar com eles de verdade, aproveitando cada segundo. Ouça histórias, conte piadas, ria junto.
A vida é tão curta...
Quais lembranças você quer carregar para toda a sua vida? As que estão no seu celular? Ou as que você viveu de verdade, intensamente?
Suas histórias são apenas as que aparecem na sua linha do tempo das redes sociais?
Pense... Repense...
Enquanto você está vendo nas redes o que os outros estão fazendo da vida, a sua própria vida está passando.

Levante seus olhos, tem um mundo inteiro esperando por você!

E para terminar, desejo a você, Drummond:

DESEJOS

Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Crianças e animais - uma relação de amor e responsabilidade

    Vi hoje uma matéria no site da Revista Pazes que me chamou muito a atenção. Trata-se de uma iniciativa do abrigo para animais Shelter Buddies Reading Program, no Estado do Missouri (EUA). Lá, estão treinando crianças para lerem para cães que sofreram maus tratos, e assim ajudam esses animais a perderem o medo do contato com as pessoas. O objetivo é livrá-los dos traumas e encaminhá-los para a adoção. (Leia na íntegra a matéria da Revista Pazes). O diretor do programa afirma que a leitura acalma e conforta os cães.
    Dessa matéria, dois pensamentos me vieram instantaneamente: o quanto a leitura é importante, até mesmo na recuperação de animais (imagine o que faz com pessoas!) e como essa relação de crianças e animais pode ser benéfica para o desenvolvimento de valores como generosidade, amor ao próximo e responsabilidade.
    Crianças que possuem animais de estimação aprendem a se relacionar melhor com outras pessoas e compreendem e vivenciam sentimentos de solidariedade, zelo, afeto, carinho e respeito. Além disso, os animais podem ser fortes aliados no desenvolvimento físico das crianças, uma vez que estimulam as brincadeiras ao ar livre e as caminhadas. Cães são indicados para o tratamento de crianças com paralisia cerebral, deficiências sensoriais (cegos, surdos e mudos), autismo, Síndrome de Down, distúrbios comportamentais entre outros transtornos. Ter um aquário em casa pode ajudar crianças com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) a se concentrarem melhor.
    Os cuidados com os animais como alimentação, higiene dos animais e do lugar onde eles ficam, medicamentos e vacinação, estimulam a autonomia e a responsabilidade, além de criar um vínculo afetivo que ajuda a criança a lidar com a alegria e a dor, a vida e a morte. Com isso, a criança aprende desde cedo a conviver com as perdas e as frustrações.
    Algumas famílias optam por não terem animais de estimação em casa por medo de que as crianças possam adoecer. Mas existem alguns estudos que comprovam que as crianças que convivem com animais tornam-se mais resistentes a algumas doenças, inclusive as respiratórias. O ideal é pesquisar e se informar a respeito do assunto.

    Se diante de tantos argumentos você decidiu que quer ter um animalzinho em casa, atenção para alguns cuidados:
  •    Ao optar por um cão ou gato, visite um abrigo de animais abandonados antes de decidir comprar um animal de raça. Nesses abrigos existem dezenas de animais, lindos e amáveis, loucos para serem adotados. Além de presentear sua criança, estará dando um belo exemplo de solidariedade.
  •   Se preferir comprar, procure informar-se sobre as raças, quais são mais indicadas para crianças, quais podem viver em apartamentos, se são agressivas ou não, enfim, obtenha o máximo de informações antes de se decidir.
  •   Se sua família mora em apartamento, fale com o síndico antes de adquirir um animal. Alguns condomínios proíbem seus moradores de possuírem determinados animais, ou têm regras bem definidas para quem desejar ter um.
  •   Converse com as crianças e explique sobre as responsabilidades que terão. Deixe claro que um animal não é um brinquedo, e que essas responsabilidades existirão enquanto o bichinho viver.
  •   Quando já estiverem com o animal, mantenha em dia a vacinação e as visitas ao veterinário. Isso evitará que o animal adoeça e que transmita doenças para as pessoas. A vermifugação também é essencial.
  •   Delegue alguns cuidados para as crianças como a alimentação, a caminhada diária e a limpeza do ambiente onde o animal vive.
  •   Jamais permita que a criança maltrate os bichinhos, sejam os dela, de outras pessoas ou da rua.
  •   Aproveite para ensinar sobre respeito: se a criança agredir um cachorro ou um gato, eles vão morder ou unhar. Isso é limite. Observe sempre a relação entre eles e intervenha se for necessário.
  •   Caso o animal venha a morrer, deixe a criança chorar. A dor da perda também é um aprendizado, difícil na realidade, mas necessário. E é uma ótima oportunidade para falarmos com elas sobre vida e morte.

     Hoje em dia, quase todas as famílias possuem ao menos um animal, e ele se torna membro da família, vive dia e noite dentro de casa, na companhia dos donos. Muitos hotéis já permitem a entrada de animais de pequeno porte, assim como alguns restaurantes e outros estabelecimentos. É importante usar o bom senso na hora de sair para passear. Dependendo do lugar, algumas pessoas podem se incomodar com a presença do animal, o que pode causar transtornos.
    E para encerrar este assunto e se aceita um conselho, adote um animal. Mas que seja por amor. E ame-o muito, pois ele será seu até o fim da vida dele. Jamais o abandone, pois ele o amará e será fiel a você para sempre. (Abandonar um animal nas ruas ou maltratá-lo é crime). 

Para saber mais:


 
 
 




segunda-feira, 13 de junho de 2016

Brrr que frio! (E o inverno ainda está por vir...)


    O frio chegou com força total neste ano e pegou muita gente desprevenida. Acordar cedinho é o grande dilema das famílias que têm filhos em idade escolar. Muitas mães preferem optar por não tirar as crianças de casa, outras não as agasalham o suficiente, e as doenças do outono/inverno acabam se instalando. O que fazer nesse período?
    Bem, como educadora que sou, digo que não levar as crianças à escola não é a melhor opção. Mas é claro que as famílias precisam usar o bom senso: se a criança não está bem, tossindo ou com garganta irritada, apanhar o frio do início da manhã pode piorar a situação. Mas se a criança está bem, basta tomar alguns cuidados para protegê-la, e o problema estará resolvido.
    Listarei aqui os cuidados que devem ser seguidos para evitar que as crianças adoeçam:
  • Deixe a criança dormir com uma camiseta de manga comprida por baixo do pijama. Assim, pela manhã, essa camiseta não precisará ser tirada, o que ameniza o choque térmico de sair da cama e se vestir.
  • Coloque agasalho suficiente para a criança chegar à escola protegida. Isso inclui gorro, cachecol, luvas e casaco.
  • O cachecol protege bem a região da garganta e é indispensável em dias de muito frio. Se a sua criança ainda não possui um, invista nisso.
  • Gorros que protegem as orelhas são essenciais, em especial para os meninos que normalmente tem o cabelo bem curto. Eles evitam que o ar frio da manhã agrida os ouvidos.
  • As meias protegem o corpo todo da friagem, já que nossos pés estão em contato com o chão frio o tempo todo. Jamais abra mão delas.
  • Por causa do frio, a pele se ressente, principalmente a dos lábios. Use produtos que possam manter a umidade natural da pele, como os hidratantes, próprios para as crianças. Nos lábios, a boa e velha manteiga de cacau ainda é a melhor opção.
  • Umidifique o quarto onde a criança dorme. Pode ser com um aparelho umidificador ou simplesmente colocar uma bacia com água ou toalha molhada dentro do quarto (longe do alcance dos pequenos). Isso irá evitar o ressecamento da pele e das vias respiratórias.
  • Evite acionar o aquecedor do carro e cobre isso do motorista do transporte escolar caso a sua criança faça uso dele. As crianças ficam aquecidas lá dentro do veículo, mas o choque térmico que elas sofrem ao sair do transporte pode constipá-las.
  • Se sua criança apresentar qualquer sintoma de gripe ou resfriado deixe-a em casa. Além de necessitar de repouso para se recuperar, na escola ela pode transmitir a doença para outras crianças, o que gera um efeito dominó. É fato que isso causar um transtorno para as famílias que trabalham, mas é importante que seja assim para o bem estar da sua criança e das outras que frequentam a escola.
  • Mantenha o calendário de vacinação em dia. Entre abril e maio, é importante que a criança receba a vacina contra o vírus influenza, para protegê-la das gripes mais fortes. (A mortalidade de crianças saudáveis por complicações da gripe é semelhante à de crianças portadoras de cardiopatias, asma e doenças renais). A vacina anti-pneumocócica também já está disponível no calendário básico de imunização infantil do Brasil, e protege contra a pneumonia, doença responsável por muitas internações e altas taxas de mortalidade, especialmente em crianças menores de 5 anos. Converse com o pediatra para elucidar melhor essa questão.
  • Por fim, hidrate sua criança! Seja água, sucos naturais ou chás. (Evite os líquidos calóricos e pobres em nutrientes como refrigerantes e sucos industrializados).  Esse hábito irá manter o corpo da criança hidratado e as vias respiratórias umedecidas, o que evitará as irritações provocadas pelo clima seco e frio do inverno.

   
    Se os pais seguirem essas orientações e a criança estiver bem, o melhor sempre é que ela não deixe de frequentar a escola, pois terá prejuízos na sua aprendizagem. Caso seja inevitável faltar às aulas, converse com a equipe pedagógica e com a professora, peça as atividades que a criança deixou de fazer, e tente amenizar o problema fazendo-as junto com ela em casa.

    E para encerrar o post de hoje, o frio tem suas vantagens... Deitar com seus pequenos a noite, bem agasalhados, em meio aos edredons e ler um bom livro para eles é uma ótima sugestão para enfrentar a época mais gelada do ano! Boa leitura a todos!

Para divertir, conhecer ou relembrar (só para os nascidos nos anos 70 ou 60), assistam o jingle das Casas Pernambucanas, que muitos cantaram naquela época. 



sexta-feira, 10 de junho de 2016

Que seja infinito enquanto dure

    Estamos às vésperas da data mais romântica do ano: o Dia dos Namorados. Essa é a época das declarações de amor, das reconciliações, dos pedidos de casamento, das surpresas, dos jantares a dois e do amor apaixonado. É também a época em que as pessoas que estão sozinhas se sentem ainda mais sozinhas, como se o mundo inteiro fosse par, e elas ímpares. Mas isso já é assunto para outro momento.
    No dia 12 de junho, as floriculturas trabalham dobrado, os restaurantes fazem programações especiais, e tudo se enche de romantismo, das músicas à decoração. E para completar esse clima de romance, vêm os presentes: esperados ou surpreendentes, são o símbolo do afeto dedicado ao namorado ou namorada.
    E os casados? Esses são eternos namorados, e muitos comemoram como se fosse a primeira vez. É a chance de renovar os sentimentos, reavivar a chama do amor e da paixão. Demonstração de carinho nunca é demais.
    Em homenagem a todos os casais do mundo, transcrevo aqui a crônica  maravilhosa de Arnaldo Jabor, de quem sou fã, que fala sobre nossas escolhas, e de como o amor é tão singular para cada um de nós.

Crônica de Amor

    Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
    O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
    Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
    Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
    Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
    Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
    Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
    Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
    Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
    Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
    Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
    É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto é imbatível.
    Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
    Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
    Não funciona assim.
    Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
    Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
    Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!
     Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.(Arnaldo Jabor)

Aproveite o dia com seu amor... ainda que seja com seu amor próprio.

Já dizia minha vó, antes só do que mal acompanhado (ou mal amado, maltratado, mal cuidado)!


Curiosidade: O Dia dos Namorados é comemorado no dia de São Valentim (Bispo de Roma que lutou contra o imperador Cláudio II que proibiu o casamento no período de guerra, pois achava os solteiros melhores combatentes), em 14 de fevereiro. Já no Brasil, a data é comemorada em 12 de junho, véspera de Santo Antônio de Lisboa, conhecido como “santo casamenteiro”.




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