Todo ano é a mesma história:
as escolas organizam grandes festas juninas, com apresentação de danças pelas
crianças e muitos quitutes típicos desta festa. É um momento importante de
interação e diversão entre escola e família. Acontece que, para os católicos, as festas existem para comemorar os dias dos santos Pedro, João e Antônio, e por esse motivo famílias de outras religiões não participam e nem deixam suas
crianças participarem. Isso gera uma grande frustração nelas que, na
maioria das vezes, nem sabem o motivo de não poderem participar.
Às escolas, cabe o papel de
respeitar as diversas religiões, e explicando às famílias que a festa é uma tradição
folclórica e que nas escolas não tem como tema os santos católicos, já que
moramos em um país laico (país ou nação com uma posição neutra no
campo religioso). Para entender melhor, vamos conhecer a origem dessa festa:
Muito antes do cristianismo,
os povos do hemisfério norte celebravam o Solstício de Verão, o dia mais curto
e a noite mais longa do ano, que acontece nos dias 21 ou 22 de junho. Nessas
celebrações, aconteciam rituais para pedirem fertilidade, sucesso e fartura nas
colheitas.
Há relatos de que os índios que
habitavam o Brasil antes da chegada dos portugueses faziam diversos rituais no
mês de junho, também ligados à colheita, ainda que aqui esse mês marque a
chegada do inverno. Nesses rituais indígenas havia muita música, danças e
comidas.
Até o século X, as festas
juninas eram assim, cultos e celebrações ligados à agricultura e a fertilidade.
Ocorre que, principalmente
os rituais de fertilidade passaram a incomodar a igreja católica, que sem conseguir
contê-los, decidiu transformar essas celebrações pagãs em cristãs, homenageando
os três santos no mesmo mês.
No Brasil, quando os
portugueses chegaram, os jesuítas se dedicaram a converter os nativos e com
isso as tradições indígenas foram se perdendo. Porém nas nossas festas juninas,
muitas comidas típicas tem sua origem na culinária indígena como a pipoca, o
pau a pique e a pamonha.
Com o tempo, as festas
juninas foram perdendo suas características: não há mais fogueiras, é proibido
soltar balões, pois eles podem causar incêndios, e as comidas típicas deram lugar
ao churrasquinho, ao cachorro-quente, ao pastel e a pizza. Nas escolas não se
pode vender bebidas alcoólicas, e, portanto lá se vão o quentão e o vinho
quente.
Ainda que essas
transformações (seriam “modernizações”?) tenham mudado um pouco as festas, elas
ainda continuam coloridas e muito animadas. As mais tradicionais do Brasil
ocorrem no Norte e Nordeste. Nesse mês de junho, essas regiões ficam lotadas de
turistas de todos os lugares do Brasil e do mundo que vão para conhecer e
aproveitar as festas juninas. As mais famosas são as de Caruaru e Campina
Grande.
Para quem gosta dessas
tradições, hoje, 24/06, é dia de São João e com certeza deve haver muitas
festas juninas na sua cidade. Tome coragem para sair de casa nesse frio e
aproveite!
Para
saber mais:
A Revista Mundo Estranho, ed. 16, traz um resumo escrito por
Cíntia Cristina da Silva, de todos os elementos contidos nas festas juninas,
sua origem e significado:
Arraial
multicultural
Tradições européias e indígenas se misturam nessas divertidas comemorações
Dança
à francesa
A quadrilha tem origem francesa, nas contradanças de
salão do século 17. Em pares, os dançarinos faziam uma seqüência coreografada
de movimentos alegres. O estilo chegou ao Brasil no século 19, trazido pelos
nobres portugueses, e foi sendo adaptado até fazer sucesso nas festas juninas.
Recado
pela fogueira
A fogueira já estava presente nas celebrações juninas
feitas por pagãos e indígenas, mas também ganhou uma explicação cristã: Santa
Isabel (mãe de São João Batista) disse à Virgem Maria (mãe de Jesus) que quando
São João nascesse acenderia uma fogueira para avisá-la. Maria viu as chamas de
longe e foi visitar a criança recém-nascida.
Sons
regionais
As músicas juninas variam de uma região para outra. No
Nordeste, as composições do sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga são as mais
famosas. Já no Sudeste, compositores como João de Barro e Adalberto Ribeiro
("Capelinha de Melão") e Lamartine Babo ("Isto é lá com Santo
Antônio") fazem sucesso em volta da fogueira.
Abençoadas
simpatias
Os três santos homenageados em junho - Santo Antônio, São
João Batista e São Pedro - inspiram não só novenas e rezas, como também várias
simpatias. Acredita-se, por exemplo, que os balões levam pedidos para São João.
Mas Santo Antônio é o mais requisitado, por seu "poder" de casar
moças solteiras.
Comilança
nativa
A comida típica das festas é quase toda à base de grãos e
raízes que nossos índios cultivavam, como milho, amendoim, batata-doce e
mandioca. A colonização portuguesa adicionou novos ingredientes e hoje o
cardápio ideal tem milho verde, bolo de fubá, pé-de-moleque, quentão, pipoca e
outras gostosuras.



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