sexta-feira, 24 de junho de 2016

Festas juninas: sua origem e transformação através do tempo

Todo ano é a mesma história: as escolas organizam grandes festas juninas, com apresentação de danças pelas crianças e muitos quitutes típicos desta festa. É um momento importante de interação e diversão entre escola e família. Acontece que, para os católicos, as festas existem para comemorar os dias dos santos  Pedro, João e Antônio, e por esse motivo famílias de outras religiões não participam e nem deixam suas crianças participarem. Isso gera uma grande frustração nelas que, na maioria das vezes, nem sabem o motivo de não poderem participar.
Às escolas, cabe o papel de respeitar as diversas religiões, e explicando às famílias que a festa é uma tradição folclórica e que nas escolas não tem como tema os santos católicos, já que moramos em um país laico (país ou nação com uma posição neutra no campo religioso). Para entender melhor, vamos conhecer a origem dessa festa:
Muito antes do cristianismo, os povos do hemisfério norte celebravam o Solstício de Verão, o dia mais curto e a noite mais longa do ano, que acontece nos dias 21 ou 22 de junho. Nessas celebrações, aconteciam rituais para pedirem fertilidade, sucesso e fartura nas colheitas.
            Há relatos de que os índios que habitavam o Brasil antes da chegada dos portugueses faziam diversos rituais no mês de junho, também ligados à colheita, ainda que aqui esse mês marque a chegada do inverno. Nesses rituais indígenas havia muita música, danças e comidas.
Até o século X, as festas juninas eram assim, cultos e celebrações ligados à agricultura e a fertilidade.
Ocorre que, principalmente os rituais de fertilidade passaram a incomodar a igreja católica, que sem conseguir contê-los, decidiu transformar essas celebrações pagãs em cristãs, homenageando os três santos no mesmo mês.
No Brasil, quando os portugueses chegaram, os jesuítas se dedicaram a converter os nativos e com isso as tradições indígenas foram se perdendo. Porém nas nossas festas juninas, muitas comidas típicas tem sua origem na culinária indígena como a pipoca, o pau a pique e a pamonha.
Com o tempo, as festas juninas foram perdendo suas características: não há mais fogueiras, é proibido soltar balões, pois eles podem causar incêndios, e as comidas típicas deram lugar ao churrasquinho, ao cachorro-quente, ao pastel e a pizza. Nas escolas não se pode vender bebidas alcoólicas, e, portanto lá se vão o quentão e o vinho quente.
Ainda que essas transformações (seriam “modernizações”?) tenham mudado um pouco as festas, elas ainda continuam coloridas e muito animadas. As mais tradicionais do Brasil ocorrem no Norte e Nordeste. Nesse mês de junho, essas regiões ficam lotadas de turistas de todos os lugares do Brasil e do mundo que vão para conhecer e aproveitar as festas juninas. As mais famosas são as de Caruaru e Campina Grande.
Para quem gosta dessas tradições, hoje, 24/06, é dia de São João e com certeza deve haver muitas festas juninas na sua cidade. Tome coragem para sair de casa nesse frio e aproveite!

Para saber mais:

A Revista Mundo Estranho, ed. 16, traz um resumo escrito por Cíntia Cristina da Silva, de todos os elementos contidos nas festas juninas, sua origem e significado:

Arraial multicultural

Tradições européias e indígenas se misturam nessas divertidas comemorações

Dança à francesa
A quadrilha tem origem francesa, nas contradanças de salão do século 17. Em pares, os dançarinos faziam uma seqüência coreografada de movimentos alegres. O estilo chegou ao Brasil no século 19, trazido pelos nobres portugueses, e foi sendo adaptado até fazer sucesso nas festas juninas.
Recado pela fogueira
A fogueira já estava presente nas celebrações juninas feitas por pagãos e indígenas, mas também ganhou uma explicação cristã: Santa Isabel (mãe de São João Batista) disse à Virgem Maria (mãe de Jesus) que quando São João nascesse acenderia uma fogueira para avisá-la. Maria viu as chamas de longe e foi visitar a criança recém-nascida.
Sons regionais
As músicas juninas variam de uma região para outra. No Nordeste, as composições do sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga são as mais famosas. Já no Sudeste, compositores como João de Barro e Adalberto Ribeiro ("Capelinha de Melão") e Lamartine Babo ("Isto é lá com Santo Antônio") fazem sucesso em volta da fogueira.
Abençoadas simpatias
Os três santos homenageados em junho - Santo Antônio, São João Batista e São Pedro - inspiram não só novenas e rezas, como também várias simpatias. Acredita-se, por exemplo, que os balões levam pedidos para São João. Mas Santo Antônio é o mais requisitado, por seu "poder" de casar moças solteiras.
Comilança nativa
A comida típica das festas é quase toda à base de grãos e raízes que nossos índios cultivavam, como milho, amendoim, batata-doce e mandioca. A colonização portuguesa adicionou novos ingredientes e hoje o cardápio ideal tem milho verde, bolo de fubá, pé-de-moleque, quentão, pipoca e outras gostosuras.




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