sexta-feira, 10 de junho de 2016

Que seja infinito enquanto dure

    Estamos às vésperas da data mais romântica do ano: o Dia dos Namorados. Essa é a época das declarações de amor, das reconciliações, dos pedidos de casamento, das surpresas, dos jantares a dois e do amor apaixonado. É também a época em que as pessoas que estão sozinhas se sentem ainda mais sozinhas, como se o mundo inteiro fosse par, e elas ímpares. Mas isso já é assunto para outro momento.
    No dia 12 de junho, as floriculturas trabalham dobrado, os restaurantes fazem programações especiais, e tudo se enche de romantismo, das músicas à decoração. E para completar esse clima de romance, vêm os presentes: esperados ou surpreendentes, são o símbolo do afeto dedicado ao namorado ou namorada.
    E os casados? Esses são eternos namorados, e muitos comemoram como se fosse a primeira vez. É a chance de renovar os sentimentos, reavivar a chama do amor e da paixão. Demonstração de carinho nunca é demais.
    Em homenagem a todos os casais do mundo, transcrevo aqui a crônica  maravilhosa de Arnaldo Jabor, de quem sou fã, que fala sobre nossas escolhas, e de como o amor é tão singular para cada um de nós.

Crônica de Amor

    Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
    O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
    Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
    Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
    Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
    Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
    Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
    Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
    Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
    Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
    Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
    É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto é imbatível.
    Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
    Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
    Não funciona assim.
    Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
    Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
    Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!
     Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.(Arnaldo Jabor)

Aproveite o dia com seu amor... ainda que seja com seu amor próprio.

Já dizia minha vó, antes só do que mal acompanhado (ou mal amado, maltratado, mal cuidado)!


Curiosidade: O Dia dos Namorados é comemorado no dia de São Valentim (Bispo de Roma que lutou contra o imperador Cláudio II que proibiu o casamento no período de guerra, pois achava os solteiros melhores combatentes), em 14 de fevereiro. Já no Brasil, a data é comemorada em 12 de junho, véspera de Santo Antônio de Lisboa, conhecido como “santo casamenteiro”.




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