sexta-feira, 20 de maio de 2016

Leitores escassos

   
    Hoje me deparei com uma notícia triste: o número de leitores no Brasil vem caindo nas últimas décadas. As explicações para isso são as esperadas: facilidade de acesso à tecnologia como TV a cabo, internet, celulares, etc. Poderíamos até concordar, em termos, com essa explicação. Mas fiquei imaginando que, um sujeito que gosta realmente de ler, não troca seu livro por um e-book no tablet. Aquele cheiro do papel ao folhear as páginas é impagável. Creio que o bom leitor vive uma história de amor com seu livro.
    Mas como despertar esse amor nas crianças? Para começar, desperte isso em você mesmo. Pais que não gostam de ler, dificilmente terão filhos amantes da leitura. Encontre um livro pelo qual você se apaixone, que te faça ler devagar para a leitura durar mais. Visite uma biblioteca, uma livraria, uma feira de livros. Mas faça isso sozinho ou sozinha. E então, leve seu filho para escolher e adquirir um livro. Deixe-o escolher. E leia para ele, uma, duas, dez vezes se assim ele quiser. Faça isso sempre, e logo vocês terão uma biblioteca, de onde poderão tirar muitas histórias e aventuras. 
    Uma boa dica é visitar as feiras de livros, onde é possível encontrar ótimos títulos a preços muito acessíveis. (confira a agenda da feira Book Lovers Kids)

    Conversem sobre os livros que leram, juntos ou individualmente. As crianças maiores, em especial os adolescentes, costumam evitar as conversas em família, e esta é uma forma de aproximá-los. Aliás, essa também é uma ótima oportunidade de conversar sobre os valores, as atitudes corretas, os sentimentos, pois através dos personagens dos livros, é possível falar sobre diversos assuntos, sem ter que “personificar” a questão.
    Torne a leitura algo prazeroso. Ler o livro que a professora mandou pode ser interessante se, desde bebê, a criança for estimulada a ler.
    Não selecionem livros por gênero: livros de “meninas” e livros de “meninos”. Ambos podem ler as mesmas histórias, dependendo do gosto pessoal.
    Criem coisas diferentes para os livros adquiridos: uma estante feita por vocês, marcadores divertidos (veja em Book Lovers Kids), dedicatórias, e o que mais sua imaginação mandar.
    Não escolham um livro somente pela beleza da edição. Atentem também para o conteúdo, o vocabulário, e a faixa etária a qual pertence. Além disso, aproveitem para escolher narrativas que tratem de temas que possam influenciar positivamente na aquisição dos valores básicos da conduta humana. Neste sentido, as histórias clássicas e as fábulas são muito apropriadas.
    A leitura traz inúmeros benefícios para qualquer ser humano: estimula a criatividade e a imaginação, aumenta o vocabulário, favorece novas aprendizagens, facilita à interpretação de textos diversos, melhora a escrita, estimula o cérebro, e ainda contribui para o desenvolvimento da capacidade critica da pessoa.
    Porém, como diz Daniel Pennac, “o verbo ler não suporta o imperativo”.  Ler por obrigação só vai tornar o ato entediante e sofrível.
    O leitor tem que ter paixão, envolvimento, um caso de amor com a leitura. Está criado aí um vínculo indissolúvel, onde o leitor não consegue e não quer mais viver sem a leitura.
    O objetivo maior deste blog é despertar essa paixão pela leitura, através de orientações aos pais e educadores. E paixão não é algo que se ensina, mas sim, que se desperta.  É claro que trataremos de assuntos diversos, na área da educação, das artes e tantas outras. Mas, acima de tudo, queremos acordar os leitores escondidos dentro das pessoas, para mudarmos a triste estatística que iniciou este post.




“Talvez não haja na nossa infância dias que tenhamos vivido tão plenamente como aqueles [...] que passamos na companhia de um livro preferido. [...] Depois que a última página era lida, o livro tinha acabado. Era preciso parar a corrida desvairada dos olhos e da voz que seguia sem ruído, para apenas tomar fôlego, num suspiro profundo. [...] Queríamos tanto que o livro continuasse, e, se fosse impossível, obter outras informações sobre todos os personagens, saber agora alguma coisa de suas vidas, empenhar a nossa em coisas que não fossem totalmente estranhas ao amor que eles nos haviam inspirado e de cujo objeto de repente sentíamos falta, não ter amado em vão, por uma hora, seres que amanhã não seriam mais que um nome numa página esquecida, num livro sem relação com a vida e sobre cujo valor nos enganamos totalmente [...].” (PROUST, Marcel. Sobre a leitura. Campinas: Pontes, 1989. Tradução: Carlos Vogt. p. 9, 22‐24.) (Fragmento).

Um comentário:

  1. Gisely, é muito profundo as paginas que você vem divulgando. Por que você não começa a pensar em transformar todas essas ideias em um livro de educação e estimulo a leitura.
    Parabéns pela profundeza de tudo que você tem postado pela internet Adilson

    ResponderExcluir