segunda-feira, 23 de maio de 2016

Ensinando valores e construindo um mundo melhor

“O mundo que vamos deixar para nossos filhos depende muito dos filhos que vamos deixar para esse mundo”. Com esta frase de Mário Sérgio Cortella, dou início a uma reflexão importante: que tipo de filhos estamos deixando para o nosso mundo? O que valorizamos mais: um mundo livre dos poluentes, com as florestas todas recuperadas, ou um mundo povoado com seres humanos que se preocupam em ser éticos e dotados de valores essenciais, que os faça manterem o planeta habitável? 

Que valores estamos ensinando às nossas crianças?

    Estamos vivendo uma era em que o essencial é aquilo que se possui, em bens materiais. O melhor tênis, a calça de marca, o carro do ano, a casa maior... E então, valores como ética, solidariedade, autocontrole, e tantos outros, vão se perdendo em meio à ilusão do efêmero.
    Ensinar tais valores às crianças não é tarefa fácil. A conduta dos pais e educadores e as reflexões que fazem juntos são imprescindíveis para a construção da personalidade dos pequenos.
    Crianças não são capazes de compreender o que é amabilidade na teoria, mas podem aprender se os pais agirem de forma amável com as pessoas. E assim acontece com a honestidade, a ética, a retidão, o altruísmo e todos os valores tão importantes para se viver em sociedade.
    É preciso ensinar que as pessoas honestas nem sempre são que levam as maiores vantagens, porém são as que se deitam todas as noites e dormem em paz consigo mesmas. Que nem sempre calar-se é sinal de fraqueza, muitas vezes é sinal de sabedoria. Que ganhar uma competição por seu próprio mérito é a verdadeira vitória. Que dividir seus brinquedos com quem não tem nada é também um presente. Que ceder a vez para alguém que está mais necessitado não é ser bobo. Que colar na prova é atestar sua preguiça para estudar, além de demonstrar sua falta de confiança em si mesmo. Que chorar frente aos outros é sinal de sensibilidade. Que apoderar-se daquilo que não é seu não é vantagem, é roubo.
    
    Agora, tente responder as perguntas que proponho com toda a sinceridade:
- Quando sua filha chega em casa com uma bonequinha diferente e você pergunta de onde veio, ao que ela responde que “achou” na escola, qual sua atitude?
- Na prova de literatura, a professora pede a leitura de um livro com 120 páginas, e seu filho diz que está tranquilo, pois encontrou um resumo de 2 páginas na internet, o que você diz?
- A melhor amiga de sua filha liga para sua casa e pergunta por ela. Sua filha, de frente para você, faz sinal para que você diga que ela não está. Você concorda?
- Você vai ao supermercado com seu filho e ele pega um pacote de salgadinhos, abre, come o que quer e deixa a embalagem vazia na prateleira. Você permite?
- Caminhando numa praça, vocês de deparam com um cão deitado, seu filho dá um chute na criaturinha que fica ganindo de dor, qual sua reação?

    Se você já viveu alguma dessas situações com seus filhos, alunos, sobrinhos ou qualquer criança com quem tenha algum laço afetivo, e não reagiu, não conversou e não puniu quando deveria, tenho que dizer que lamento.

    Lamento, pois uma oportunidade de aprendizado foi perdida.
    Lamento, porque uma criança é uma página em branco, ávida por ser preenchida com belas histórias e experiências enriquecedoras.
    Lamento, porque é na infância que construímos a base sólida da personalidade de um ser humano.

    E no futuro, você, que nada fez, não poderá espantar-se com jovens que ateiam fogo em mendigos, com assassinos cruéis que não poupam nem os pais, com políticos corruptos que se apropriam do dinheiro público, ou com o vizinho lavando a rua em tempos de racionamento.

    E para encerrar, retorno à primeira reflexão:


Que tipo de filhos estamos deixando para o nosso mundo?

"Educar é tarefa permanente. E, evidentemente, não se dá apenas em sala de aula. Escolarização é uma parte da Educação. Formar pessoas é uma atividade que demanda fazer bem aquilo que se faz e fazer o bem com aquilo que se faz. Não se trata de jogo de palavras, mas de firmeza de propósito. Fazer bem é questão de competência. Fazer o bem é empreender esforço e energia para tornar a vida boa para todos e todas. Tem a ver com a construção do futuro que queremos, para não apequenarmos nossa Vida!" (Cortella, Mário Sérgio. Educação, convivência e ética. Audácia e Esperança). Mário Sérgio Cortella

(Para ajudar os pais e educadores na tarefa de ensinar os valores humanos a seus filhos e alunos, veja em “Análise de Livros” uma dica imperdível!)


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