segunda-feira, 11 de julho de 2016

Na verdade, quem é a vítima?

Essa semana, na Espanha, um jovem toureiro foi morto na cidade de Teruel, durante uma competição. Triste ver ao vivo a morte de um rapaz de 29 anos, que tinha toda uma vida pela frente.
Diante da notícia, surge a dúvida: na verdade, quem é a vítima?
As touradas acontecem desde meados do século 3 antes de Cristo, e teve origem em caçadas de touros selvagens dentro de arenas. Com o tempo, a prática caiu no gosto popular e hoje, só na Espanha, movimentam cerca de 4,4 bilhões de reais por ano. Por sorte em muitos países as competições foram proibidas, devido a crueldade a que os animais são submetidos. Cerca de 250 mil touros são sacrificados no mundo todos os anos. As plateias aplaudem a morte de cada touro, de pé. E, pasme, o prêmio mais esperado pelo toureiro são as orelhas e o rabo do animal, cortados na hora. O que sobra do touro é levado para fora da arena e a carne é vendida para os açougues locais. Para entender melhor como funciona uma competição, replico um trecho da matéria “O que é uma tourada?” da revista Mundo Estranho:
 “O toureiro e seus ajudantes formam uma cuadrilla para matar o touro. No 1º terço do espetáculo (tercio de varas), o touro selvagem, com idade entre 4 e 6 anos, e mais de 460 kg, é solto na arena - de raça feroz, é treinado à risca pra briga. O toureiro, ou matador, faz movimentos com o capote - capa vermelha de forro amarelo - para atiçar a fera. Como só vê preto e branco, o que o incita são os volteios da capa.

O touro é conduzido até um dos dois picadores, cavaleiros com lanças que ferem o bicho para ir minando sua força. A ponta da lança, em forma de T, limita a profundidade das picadas. Os cavalos são vendados - para não se assustarem com o touro - e cobertos com uma lona grossa para protegê-los das chifradas. Depois que o touro foi enfraquecido com pelo menos duas estocadas, começa o tercio de banderillas. É quando os banderilleros entram em cena, cravando três pares de estacas coloridas, com ponta de arpão, no pescoço do bicho. O objetivo é deixar a fera ainda mais furiosa para o desfecho da peleja. 
Na parte final (tercio de muerte), o matador usa uma pequena capa, empunhada com uma das mãos, para realizar a faena, driblando o animal bem de perto e perigosamente - chifradas na virilha, axilas, pescoço e tórax não são raras, e podem ser fatais. Nesta hora, quando o toureiro exibe sua habilidade, é que a torcida grita "olé!" O matador recebe uma espadona de aço de quase 1 m para liquidar a fatura. Com a capa rente ao chão, ele vai colocando o bicho na posição ideal para o bote: de cabeça baixa e patas dianteiras juntas. Com isso, ressalta a área logo acima do pescoço, onde será dado o golpe fatal - se a estocada atingir a aorta (o que nem sempre acontece), a morte é instantânea. A luta toda dura em média 20 minutos.”

E é por isso que a pergunta não quer se calar: quem é a vítima? O homem retira um animal selvagem de seu habitat, o traz para a civilização, joga-o no meio de uma arena, e instiga seu instinto mais agressivo para que ele ataque o toureiro. Este por sua vez o fere diversas vezes, até que o mata. Aliás, o objetivo maior deste “espetáculo” é ver o touro agonizar e morrer.
É triste saber que um homem tão jovem morreu na arena por causa do ataque de um touro. Acontece que ele assumiu os riscos, decidiu lutar. Os 250 mil touros que morrem a cada ano no mundo, não vão para a arena porque querem. Provavelmente jamais atacariam um homem se não fossem instigados a fazer isso.
E é aí que mora a diferença. Quem é a vítima: quem decide lutar e se arrisca a morrer, ou quem se vê sendo atacado e tenta se defender? Dê a sua opinião!






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