Estamos de
férias! Professores e alunos estão curtindo o merecido descanso do primeiro
semestre. As famílias se organizaram, algumas crianças estão com os avós, outras
com a babá, tem aquelas sortudas que foram viajar com os pais ou estão em casa
com a mamãe, e há ainda aquelas que estão curtindo a colônia de férias, pois
papai e mamãe não conseguiram tirar uns dias na empresa para ficar com elas.
Não importa, estão descansando da escola e curtindo coisas diferentes.
É nesse momento
de descanso que trago uma reflexão sobre a escola. Lendo uma entrevista do psicólogo
e psicanalista Eduardo Sá, professor da Universidade de Coimbra, Portugal,
fiquei intrigada com seu pensamento: “Escola demais faz mal às crianças”. Como
assim? Sim, é isso que ele concluiu. As crianças têm passado tempo demais na
escola. E estão deixando de conviver com suas famílias, deixando de brincar, o
que é tão essencial quanto aprender. Segundo Eduardo Sá, as prioridades
deveriam ser assim: em primeiro lugar a família, em segundo a “escola da vida”,
em terceiro o brincar, e finalmente, a escola.
As crianças tem
ingressado cada vez mais cedo à escola, o ensino obrigatório hoje começa aos 4
anos de idade. Até aí tudo bem, é importante que as crianças sejam estimuladas
cada vez mais cedo, desde que a educação infantil não se transforme (como vem
acontecendo) numa “Pré-escola”, onde elas são incentivadas a ler e escrever, e
onde a infância tem perdido seu espaço, já que não sobra mais tempo para
brincar, fantasiar, ser criança. As professoras têm se preocupado demais em dar
atividades no papel, encher cadernos lindamente, e se esquecendo de que, na
educação infantil, esse não é o objetivo maior a ser alcançado. É preciso que a
criança brinque, que jogue com seus colegas e aprenda a respeitá-los, que saiba
perder e ganhar, que consiga amarrar seu próprio tênis, que vá ao banheiro sem
precisar de ajuda, que pule corda, que corra, que ouça histórias incríveis e
que fantasie muito em torno delas, que saiba resolver conflitos do dia a dia e
que consiga se comunicar corretamente. É preciso que as crianças tenham
frustrações e saibam conviver com elas. Elas precisam entender que às vezes
ficamos tristes, e que isso não é nada sobrenatural. E que quando ficamos
tristes, o que importa é ter pessoas ao nosso lado que nos apoiam, nos amam, e
que nos amarão apesar de qualquer coisa. Com tantas pessoas deprimidas no
mundo, fico pensando se isso não seria uma consequência da privação de
frustração e tristeza que os pais e também os professores, têm praticado com
suas crianças. É bom ficar triste de vez em quando... Ficamos mais fortes e
corajosos depois de superar uma tristeza.
Eduardo Sá ainda
fala sobre as lições de casa – mais deveres para fazer em casa, significa menos
tempo com a família, e menos tempo para brincar. E a infância mais uma vez é
roubada pelas tantas atividades que a escola exige. Ora, se o ensino em sala de
aula é eficiente, e consegue atingir crianças diferentes no mesmo período
escolar, não é necessário que a criança leve para casa tantos afazeres.
A escola tem
colaborado para o encurtamento da infância, seja no período escolar, quando só
se ocupam em aprender a ler e escrever, seja na quantidade de atividades extras
que mandam para casa.
E isso tudo explica
o primeiro pensamento de Sá: “Escola demais faz mal às crianças”.
Vamos aproveitar
as férias para dar às nossas crianças muito mais que conhecimento. Vamos dar
afeto, oportunidades para brincar, menos televisão e mais livros, vamos
escutá-las e dar a elas toda a nossa atenção e amor.
Aproveitem para
pensar: que tipo de escola quero para o meu filho? Falaremos mais sobre isso em
breve.
Visitem o site
da Book Lovers Kids e escolham livros incríveis para desfrutar com as crianças
nessas férias.


Muito interessante... E muitas vezes não percebemos isso.
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