segunda-feira, 18 de julho de 2016

"Escola demais faz mal às crianças" (Eduardo Sá)


Estamos de férias! Professores e alunos estão curtindo o merecido descanso do primeiro semestre. As famílias se organizaram, algumas crianças estão com os avós, outras com a babá, tem aquelas sortudas que foram viajar com os pais ou estão em casa com a mamãe, e há ainda aquelas que estão curtindo a colônia de férias, pois papai e mamãe não conseguiram tirar uns dias na empresa para ficar com elas. Não importa, estão descansando da escola e curtindo coisas diferentes.
É nesse momento de descanso que trago uma reflexão sobre a escola. Lendo uma entrevista do psicólogo e psicanalista Eduardo Sá, professor da Universidade de Coimbra, Portugal, fiquei intrigada com seu pensamento: “Escola demais faz mal às crianças”. Como assim? Sim, é isso que ele concluiu. As crianças têm passado tempo demais na escola. E estão deixando de conviver com suas famílias, deixando de brincar, o que é tão essencial quanto aprender. Segundo Eduardo Sá, as prioridades deveriam ser assim: em primeiro lugar a família, em segundo a “escola da vida”, em terceiro o brincar, e finalmente, a escola.
As crianças tem ingressado cada vez mais cedo à escola, o ensino obrigatório hoje começa aos 4 anos de idade. Até aí tudo bem, é importante que as crianças sejam estimuladas cada vez mais cedo, desde que a educação infantil não se transforme (como vem acontecendo) numa “Pré-escola”, onde elas são incentivadas a ler e escrever, e onde a infância tem perdido seu espaço, já que não sobra mais tempo para brincar, fantasiar, ser criança. As professoras têm se preocupado demais em dar atividades no papel, encher cadernos lindamente, e se esquecendo de que, na educação infantil, esse não é o objetivo maior a ser alcançado. É preciso que a criança brinque, que jogue com seus colegas e aprenda a respeitá-los, que saiba perder e ganhar, que consiga amarrar seu próprio tênis, que vá ao banheiro sem precisar de ajuda, que pule corda, que corra, que ouça histórias incríveis e que fantasie muito em torno delas, que saiba resolver conflitos do dia a dia e que consiga se comunicar corretamente. É preciso que as crianças tenham frustrações e saibam conviver com elas. Elas precisam entender que às vezes ficamos tristes, e que isso não é nada sobrenatural. E que quando ficamos tristes, o que importa é ter pessoas ao nosso lado que nos apoiam, nos amam, e que nos amarão apesar de qualquer coisa. Com tantas pessoas deprimidas no mundo, fico pensando se isso não seria uma consequência da privação de frustração e tristeza que os pais e também os professores, têm praticado com suas crianças. É bom ficar triste de vez em quando... Ficamos mais fortes e corajosos depois de superar uma tristeza.
Eduardo Sá ainda fala sobre as lições de casa – mais deveres para fazer em casa, significa menos tempo com a família, e menos tempo para brincar. E a infância mais uma vez é roubada pelas tantas atividades que a escola exige. Ora, se o ensino em sala de aula é eficiente, e consegue atingir crianças diferentes no mesmo período escolar, não é necessário que a criança leve para casa tantos afazeres.
A escola tem colaborado para o encurtamento da infância, seja no período escolar, quando só se ocupam em aprender a ler e escrever, seja na quantidade de atividades extras que mandam para casa.
E isso tudo explica o primeiro pensamento de Sá: “Escola demais faz mal às crianças”.
Vamos aproveitar as férias para dar às nossas crianças muito mais que conhecimento. Vamos dar afeto, oportunidades para brincar, menos televisão e mais livros, vamos escutá-las e dar a elas toda a nossa atenção e amor.
Aproveitem para pensar: que tipo de escola quero para o meu filho? Falaremos mais sobre isso em breve.





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