quarta-feira, 8 de junho de 2016

A triste síndrome do ninho vazio e outros dilemas

    Quando os filhos estão pequenos, a vida das mães é uma festa, e também uma correria. São tantos cuidados e compromissos com os pequenos, que às vezes elas ficam exaustas. Eu, mãe de duas crianças, me pego de repente desejando duas horas apenas de solidão absoluta. Mas isso é só um desejo, quase impossível de ser realizado.
    Os avós desempenham um papel fundamental nessa fase, afinal de contas, hoje são eles que geralmente cuidam das crianças enquanto os pais estão trabalhando, o que ajuda bastante para que elas (as mães) não enlouqueçam definitivamente.
    E então, do dia para a noite, nossas criancinhas chegam à adolescência. Não querem mais sair na companhia dos pais, têm vergonha do beijo da mamãe na porta da escola, e tudo o que importa são os amigos, as festas, as “baladinhas”. Os pais que conseguem almoçar com as “crianças” no fim de semana são sortudos, porque em geral eles querem sair o tempo todo. E juntamente com os estudos, cada vez com mais exigências, pouco tempo os adolescentes têm para desfrutar a companhia dos pais. Nessa fase, juntam-se aos cuidados e compromissos que já existiam, a preocupação com a violência, as drogas e tantos outros perigos.
    Começa então a temida fase dos vestibulares. A tensão desse período, tanto dos pais quanto dos jovens, é enorme. Muito estudo, muito dinheiro gasto, às vezes muitas viagens, e não há tempo para se pensar em mais nada. Quando sai o resultado das provas e os pais não veem o nome do seu filho na lista de aprovados, decepção e preocupação se misturam. Ao contrário, se o jovem está aprovado na faculdade dos sonhos, a alegria e a sensação de dever cumprido tomam conta dos pais. Sim, isso até a página dois. É porque nesse momento, começam outras grandes preocupações.
    A primeira delas é: se a faculdade é particular, como vão pagar? Geralmente as mensalidades são altas e a família inteira tem que se empenhar para conseguir pagar, isso quando conseguem. Ou correm atrás de financiamentos estudantis, sempre cheios de burocracia. A segunda preocupação é: a faculdade é pública (ou é particular e a família pode pagar sem problemas), é ótima, mas fica a quilômetros e quilômetros de distância de casa. No coração dos pais, novamente a preocupação, tristeza e alegria se revezam.
Dilemas resolvidos, matrícula feita, chega a hora de o jovem ir embora. O pai dizendo que será bom pra ele (ou ela), a mãe chorando escondida pelos cantos da casa, e juntos começam a organizar as coisas para a “mudança”.

    As questões nesse momento são: ela (a) vai conseguir “se virar” bem? Vai limpar a casa, arrumar a cama todos os dias, lavar e passar suas roupas, ou conseguir uma boa faxineira, caprichosa e confiável para fazer tudo isso? E será que vai se alimentar bem ou vai viver do hambúrguer da lanchonete da faculdade? Será, será, será... Milhões de perguntas ficam passeando nos pensamentos dos pais. Mas isso também é superado...
    O que resta é a casa dos pais, parecendo grande demais para eles, vazia demais, silenciosa demais. Não há com quem brigar pelo som alto, não é preciso ficar acordados até os filhos chegarem da balada, não é preciso buscar na escola, no inglês, no futebol...  E o seu mundo atarefado, cheio de horários e preocupações com os filhos, de repente fica vazio e quieto.
    Os pais em geral seguram melhor essa “onda”. As mães... Pobres mães. Entram no quarto vazio dos filhos e choram, fazem o prato preferido deles e choram, se deitam a noite para dormir e choram, encontram com as amigas e choram. Ligam para os filhos todo o tempo, ou aguardam ansiosas para que eles liguem.
    A parte boa dessa história é que isso tudo passa. Da mesma forma que passam as dores de barriga dos bebês, a adaptação na escola, as brigas com os irmãos, a rebeldia da adolescência e os vestibulares.
    E felizes são os pais que passam por todas essas fases, pois isso significa que seus filhos trilharam o caminho certo, com responsabilidade e dedicação. Quantos são os pais que aguardam a saída de seus filhos de clínicas de recuperação de dependentes químicos ou até da prisão, ou que têm seus filhos em casa ainda, mas sem estudar, sem trabalhar, apenas vendo os dias passarem e ainda pedindo dinheiro para o fim de semana? De que lado você quer que seus filhos estejam? Prepare-os para a vida!
    Estejam junto dos seus filhos, todo o tempo que puderem. Preocupem-se com quem eles se relacionam. Mantenham regras de disciplina em casa, sempre. Deleguem tarefas e responsabilidades da casa. Auxiliem nas dificuldades. Ouçam. Conversem. Sintam saudades de cada fase que viveram juntos, e estejam prontos para todas as outras que virão.

Para complementar esse tema, leiam o sensível texto de SAMANTA SELZLER, “Mãe, eu tenho que ir” 


CRIANDO APAIXONADOS POR LIVROS DESDE CEDO



2 comentários:

  1. Querida Gisely,
    Excelente texto. ao lê-lo vi-me retratado em minha própria vida. Hoje minhas duas crianças já são adultos e há 60 dias ganhei um presente do meu filho: a netinha Luiza. Vida que vai, vida que vem.
    Um beijão a Você

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    1. Obrigada meu tio!! Saiba que me espelho muito em vocês, como criaram seus filhos e como levam a vida hoje. São um exemplo lindo de família! Beijos!

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