segunda-feira, 20 de junho de 2016

Comportamento agressivo em crianças de 2 a 5 anos

           Tenho acompanhado diariamente o comportamento de crianças de 2 a 5 anos que apresentam agressividade, hiperatividade, falta de concentração e irritabilidade. Nessa idade ainda não podemos diagnosticá-las como portadoras de distúrbios comportamentais como TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade). O que devemos fazer é observar e conversar com os pais a fim de perceber se há algum fator externo que esteja desencadeando tais comportamentos.
Em alguns casos, as crianças apenas estão se habituando a conviver com as outras, geralmente são filhas únicas, que convivem somente com adultos. Outras crianças presenciam violência em casa, seja verbal ou física. E outras ainda estão manifestando comportamento agressivo por influência de filmes, jogos de vídeo game ou brincadeiras de luta com os pais (nesse caso, especialmente os meninos). Se junta a isso o fato de que muitas famílias têm se desestruturado, algumas crianças são rejeitadas desde o ventre da mãe, outras se encontram sob os cuidados de tutores quando são retiradas de sua família biológica, enfim, os fatores sociais também influenciam (e muito!) nessa questão comportamental.
Durante as conversas com os pais, relatamos os comportamentos que a criança vem apresentando na escola e acabamos “descobrindo” algumas dessas causas.
O cérebro da criança não está preparado para diferenciar a fantasia da realidade. E é por isso que, muitas vezes, o que parece um desenho inocente acaba se tornando um grande problema. E o mesmo acontece com os jogos e as brincadeiras de pai e filho. A criança traz para a sua realidade, as atitudes observadas nas personagens que assiste. Então, o menino pensa que pode agir como o Homem-Aranha, as meninas são Super Poderosas, e assim vão “lutando” contra o mal, agredindo os colegas como se eles fossem os vilões.
Há outro lado também que são as novelas. Atualmente os enredos estão altamente sensualizados, e as crianças chegam à escola falando em namoros, beijos e casamento, assuntos que estão longe de pertencer ao seu universo. Existe uma “erotização” cada vez mais precoce das crianças, por conta dos conteúdos inadequados que assistem na TV. E às vezes os pais agem inocentemente, vendo novelas e filmes que são impróprios para as crianças enquanto elas estão por perto, brincando. Esquecem-se de que elas observam e captam todas as informações ao seu redor, e que vão copiar os comportamentos que estão assistindo.
Tenho observado também que em muitos casos, a causa da agressividade infantil é o excesso de proteção dos pais (veja, a falta de proteção é prejudicial, porém o excesso dela também prejudica!). Pais superprotetores costumam ser mais liberais e condescendentes na criação dos filhos. A princípio, quando a criança está convivendo apenas com sua família, pode parecer que está tudo bem. Porém, quando há o ingresso na escola, ela tenderá a exigir dos outros os mesmos privilégios que tem com os pais. O que resulta dessa situação são crianças egoístas, que querem ser sempre as primeiras em todas as atividades, que não dividem ou compartilham brinquedos, impacientes, e que desenvolvem um comportamento agressivo para conseguirem o que desejam. Esses pequenos são em casa, verdadeiros “reizinhos”: os pais, avós, tios, irmãos mais velhos e todos da família satisfazem os seus desejos inteiramente e na hora em que aparecem. E então, as crianças vão para a escola (ou o clube, igreja e onde mais possam conviver com seus “iguais”) e surgem todos esses problemas. Mas a questão da superproteção será tratada em outro post.
Para completar, vale lembrar que, segundo Freud, pai da psicanálise, desde o nascimento até por volta dos 18 meses (às vezes um pouco mais) as crianças estão na fase oral do desenvolvimento psicossexual, quando todas as manifestações de prazer, carinho, raiva ou satisfação de suas necessidades se concentram em sua boca (lábios, língua e mais tarde os dentes). Nessa fase também, a criança só compreende a dor quando a sente em si mesma, identificando assim os limites entre o seu corpo e o meio em que vive.
A agressividade infantil está intimamente ligada à dificuldade que criança tem de se expressar, de usar argumentos para conseguir aquilo que deseja. Ela ainda não sabe negociar. Portanto, os pais devem ensinar às crianças a dialogar, expressando seus desejos através da linguagem. Jamais estimule sua criança a “descontar” uma agressão. Violência gera violência, e se você não gosta que sua criança chegue em casa machucada, deve pensar que outros pais também não vão gostar.
Acredite, é um “ajustamento” de comportamentos para se viver em sociedade. E vai passar. E caso não passe, procure a ajuda de um terapeuta para que ele possa, de forma profissional, auxiliar sua criança a superar a agressividade que apresenta em seu convívio com os outros.



Para saber mais, assista ao vídeo da psicóloga Daniella Freixo de Faria “CriançasAgressivas” 


4 comentários:

  1. Perfeito! Parabéns pelo documentário. Se observarmos nossas atitudes em relação aos nossos filhos, podemos ver que tem total influência no comportamento em sociedade de nossas crianças.

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  2. É muito importante dosar a proteção das crianças: nem demais, nem de menos, o equilíbrio é fundamental! Ótima matéria!

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