Tenho acompanhado
diariamente o comportamento de crianças de 2 a 5 anos que apresentam agressividade,
hiperatividade, falta de concentração e irritabilidade. Nessa idade ainda não
podemos diagnosticá-las como portadoras de distúrbios comportamentais como TDAH
(Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade). O que devemos fazer é
observar e conversar com os pais a fim de perceber se há algum fator externo
que esteja desencadeando tais comportamentos.
Em alguns casos, as crianças
apenas estão se habituando a conviver com as outras, geralmente são filhas
únicas, que convivem somente com adultos. Outras crianças presenciam violência
em casa, seja verbal ou física. E outras ainda estão manifestando comportamento
agressivo por influência de filmes, jogos de vídeo game ou brincadeiras de luta
com os pais (nesse caso, especialmente os meninos). Se junta a isso o fato de
que muitas famílias têm se desestruturado, algumas crianças são rejeitadas
desde o ventre da mãe, outras se encontram sob os cuidados de tutores quando
são retiradas de sua família biológica, enfim, os fatores sociais também
influenciam (e muito!) nessa questão comportamental.
Durante as conversas com os
pais, relatamos os comportamentos que a criança vem apresentando na escola e
acabamos “descobrindo” algumas dessas causas.
O cérebro da criança não
está preparado para diferenciar a fantasia da realidade. E é por isso que,
muitas vezes, o que parece um desenho inocente acaba se tornando um grande
problema. E o mesmo acontece com os jogos e as brincadeiras de pai e filho. A
criança traz para a sua realidade, as atitudes observadas nas personagens que
assiste. Então, o menino pensa que pode agir como o Homem-Aranha, as meninas
são Super Poderosas, e assim vão “lutando” contra o mal, agredindo os colegas
como se eles fossem os vilões.
Há outro lado também que são
as novelas. Atualmente os enredos estão altamente sensualizados, e as crianças
chegam à escola falando em namoros, beijos e casamento, assuntos que estão
longe de pertencer ao seu universo. Existe uma “erotização” cada vez mais
precoce das crianças, por conta dos conteúdos inadequados que assistem na TV. E
às vezes os pais agem inocentemente, vendo novelas e filmes que são impróprios
para as crianças enquanto elas estão por perto, brincando. Esquecem-se de que
elas observam e captam todas as informações ao seu redor, e que vão copiar os
comportamentos que estão assistindo.
Tenho observado também que
em muitos casos, a causa da agressividade infantil é o excesso de proteção dos
pais (veja, a falta de proteção é prejudicial, porém o excesso dela também
prejudica!). Pais superprotetores costumam ser mais liberais e condescendentes
na criação dos filhos. A princípio, quando a criança está convivendo apenas com
sua família, pode parecer que está tudo bem. Porém, quando há o ingresso na escola,
ela tenderá a exigir dos outros os mesmos privilégios que tem com os pais. O
que resulta dessa situação são crianças egoístas, que querem ser sempre as
primeiras em todas as atividades, que não dividem ou compartilham brinquedos,
impacientes, e que desenvolvem um comportamento agressivo para conseguirem o que
desejam. Esses pequenos são em casa, verdadeiros “reizinhos”: os pais, avós, tios,
irmãos mais velhos e todos da família satisfazem os seus desejos inteiramente e
na hora em que aparecem. E então, as crianças vão para a escola (ou o clube,
igreja e onde mais possam conviver com seus “iguais”) e surgem todos esses
problemas. Mas a questão da superproteção será tratada em outro post.
Para completar, vale lembrar
que, segundo Freud, pai da psicanálise, desde o nascimento até por volta dos 18
meses (às vezes um pouco mais) as crianças estão na fase oral do desenvolvimento
psicossexual, quando todas as manifestações de prazer, carinho, raiva ou
satisfação de suas necessidades se concentram em sua boca (lábios, língua e
mais tarde os dentes). Nessa fase também, a criança só compreende a dor quando
a sente em si mesma, identificando assim os limites entre o seu corpo e o meio
em que vive.
A agressividade infantil
está intimamente ligada à dificuldade que criança tem de se expressar, de usar
argumentos para conseguir aquilo que deseja. Ela ainda não sabe negociar. Portanto,
os pais devem ensinar às crianças a dialogar, expressando seus desejos através
da linguagem. Jamais estimule sua criança a “descontar” uma agressão. Violência
gera violência, e se você não gosta que sua criança chegue em casa machucada,
deve pensar que outros pais também não vão gostar.
Acredite, é um “ajustamento”
de comportamentos para se viver em sociedade. E vai passar. E caso não passe,
procure a ajuda de um terapeuta para que ele possa, de forma profissional,
auxiliar sua criança a superar a agressividade que apresenta em seu convívio
com os outros.
Para
saber mais, assista ao vídeo da psicóloga Daniella Freixo de Faria “CriançasAgressivas”
Perfeito! Parabéns pelo documentário. Se observarmos nossas atitudes em relação aos nossos filhos, podemos ver que tem total influência no comportamento em sociedade de nossas crianças.
ResponderExcluirVerdade Dayana!! Obrigada pela força, sempre!
ExcluirÉ muito importante dosar a proteção das crianças: nem demais, nem de menos, o equilíbrio é fundamental! Ótima matéria!
ResponderExcluirIsso mesmo, Sheila, tudo na medida certa! Beijo!!
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