Vou
exemplificar para que possam compreender melhor essa questão:
Caso 1: As
crianças, de 4 anos, estão brincando de corre-cotia, em roda. O “pegador” tenta
pegar o colega e acaba empurrando-o, sem querer. A professora corre para levantar a criança
caída, que ao se virar se depara com ela, a professora. Ao chegar em casa, com
um ferimento nos lábios (nada sério, claro), conta para os pais que a
professora a empurrou. Pior, os pais acreditam, e antes de verificar a história
na escola, chamam a polícia. Muitas audiências depois, fica comprovado que a
professora é inocente. Nesse caso, a criança interpretou os fatos de acordo com
o que viu: ela caiu e, ao se virar, a professora estava lá, bem atrás dela.
Logo, o que pensou foi que a professora a empurrou.
Caso 2: Crianças
(de qualquer idade) que fingem estar passando mal para manipular os pais e
obterem o que querem, já vi vários casos desse tipo! O problema é que alguns
pais, mesmo sem acreditar que a criança realmente esteja passando mal, cedem
aos desejos dos filhos para não se sentirem culpados depois. Pensam: - E se
dessa vez for verdade?
Caso 3: A
criança se sai mal nas provas e recebe o boletim da escola cheio de notas
vermelhas, ou com uma nota vermelha, que seja! Com medo da reação dos pais,
esconde o documento, na tentativa de postergar a bronca que certamente irá
levar. Pode ser que os pais perguntem pelo boletim, e a criança diz que ainda
não foi entregue. Isso começa a acontecer por volta dos 9 anos.
Caso 4: A
criança passa o dia todo na escola. Ao chegar em casa, por vários dias
seguidos, diz que outras crianças bateram nela. Os pais chegam à escola
dispostos a chamar o exército, as forças armadas, o que for. Lá, escutam das
professoras e da equipe gestora, que nada aconteceu, nenhuma vez. Algumas vezes
os pais acreditam, em outras não e aí o caso se transforma numa grande confusão.
Com isso, pode ser que a criança queira chamar a atenção dos pais para si, está
carente, é como um pedido de socorro.
Estas são
algumas situações que eu presenciei, direta ou indiretamente, não só no meu
trabalho, mas na vida pessoal também.
Não precisam
pensar que seus filhos mentem, indiscriminadamente, a todo o momento. Até pode
ser, em algum caso, mas isso já seria considerado um desvio de conduta.
O objetivo
desse texto é simplesmente mostrar aos pais que pode ser que seus filhos mintam
sim, uma vez ou outra, e não é preciso se desesperar por isso.
A nossa
tarefa é ensinar, desde muito pequenos, que não é certo mentir, mostrar as
consequências que isso pode causar, e conversar, sempre.
As histórias
são uma ótima forma de auxiliar nessa tarefa. Quem nunca teve medo de que seu
nariz crescesse se contasse uma mentira? Pinóquio pode ensinar às crianças o
quanto a mentira pode prejudicar as pessoas que amamos e a nós mesmos, ainda
que o nosso nariz continue do mesmo tamanho.
As pequenas
mentiras irão acontecer, quase com certeza. E faz parte do desenvolvimento da
personalidade e do caráter de qualquer criança.
Para encerrar, fiquem atentos
às dicas de como reagir se acontecer da sua criança mentir:
- Se
descobrir a verdade, corrija a criança.
- Seja firme
e explique que não podemos mentir.
- Preste
atenção ao que os adultos que ficam com a sua criança estão dizendo. E use o bom
senso para acreditar ou não.
- Ouça as
explicações, os argumentos, e se for o caso, as desculpas.
- Perdoe,
mas oriente!
Para quem se interessou pelo assunto, veja mais em Marcos Meier e a mentira para crianças

Muito esclarecedor! Pensar e refletir sobre temas sensíveis, nos ajuda a quebrar tabus...paradigmas! E assim temos a chance de aos poucos transformar o mundo num lugar melhor! Compreender melhor o outro, especialmente, esse outro sendo nossas crianças, sem o viés do preconceito e do desconhecimento sobponde fazer bem a todos! Obrigada por compartilhar conosco! :)
ResponderExcluirObrigada Lu!! Espero expandir esses conceitos a fim de quebrar paradigmas mesmo! Beijo!!
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