segunda-feira, 16 de maio de 2016

Mamãe, eu estou com medo!!

   
    Toda criança, ou pelo menos a grande maioria delas, passa por uma fase em que sente muito medo. Esse sentimento assustador faz parte da natureza humana. Ele é importante, pois ativa os sinais de alerta do corpo, que nos permitem correr de um perigo iminente por exemplo. É um sentimento primitivo e involuntário.

    
    O desafio é saber lidar com o medo, os seus próprios e os das crianças. Em alguns casos, o medo dos pais ou adultos mais próximos é transferido às crianças, não de propósito obviamente.
    
    Existem pais que reagem censurando o medo de seus filhos, outros que compreendem, mas na ânsia de proteger a criança, acabam por alimentar o sentimento.
    
    Antes de tudo, vale lembrar que o medo é um fator importante para o desenvolvimento psicológico da personalidade e o amadurecimento da criança.
    
    O primeiro passo para amenizar o problema é identificar o medo. Existem os clássicos: medo de escuro, da Cuca, do “homem do saco”, do lobo mal, da bruxa. Esses são estereótipos tradicionais que fazem parte do universo infantil. Alguns medos são passageiros, e referem-se a uma situação vivida pela criança, como por exemplo, se ela se perdeu no shopping e vai passar um tempo com medo de perder os pais do seu campo de visão. Há ainda os medos que são administráveis, ou seja, basta a presença de um adulto de sua confiança que a criança se tranquiliza. O problema é quando o medo modifica o comportamento da criança e a perturba. São os medos que aterrorizam, que fazem a criança dormir mal, ou não dormir, que a impedem de realizar suas atividades normais e fundamentais do cotidiano. Esses últimos merecem atenção especial, pois causam grande sofrimento e podem prejudicar o desenvolvimento da criança.

    Os medos mais comuns, de acordo com a faixa etária são:

De 0 a 6 meses: barulhos fortes, luzes intensas, falta de colo.
De 7 a 12 meses: pessoas estranhas, separação dos pais ou cuidadores, ruídos agudos.
2 anos: separação dos pais ou cuidadores, perder seu objeto de estimação (brinquedo, cobertor, fralda, chupeta), locais estranhos, barulhos desconhecidos.
3 e 4 anos: separação dos pais ou cuidadores, pessoas fantasiadas de personagens (palhaço, Homem-Aranha, etc), escuro.
5 anos: separação dos pais ou cuidadores, personagens das histórias clássicas e do folclore: lobo mal, bruxa má, saci-pererê, acidentes, pessoas más.
6 a 8 anos: separação dos pais ou cuidadores, histórias sobrenaturais, tempestades, escuro, ficar sozinho, tragédias, filmes.
9 aos 12 anos:
medos com relação a escola como provas, reprovação, bullying, fenômenos naturais (trovoadas, terremotos, inundações), morte das pessoas próximas, briga dos pais.

    Têm medos que são protetores: medo de altura e de fogo, por exemplo, podem evitar diversos acidentes.

    Mas qual seria a melhor maneira de lidar com essas situações?
  1. Jamais subestimem o medo do seu filho. Dizer displicentemente que é bobagem ter medo de bicho papão, que ele não existe, não vai melhorar a situação.
  2. Deixem que expresse seu sentimento, estimulem-no a nomear seu medo. Conversar sobre o problema, de forma tranquila, pode ajudar a minimizá-lo.
  3. Estejam presentes quando seu filho manifestar seu medo, sem demonstrar ansiedade ou irritação. Essa atitude pode ter um efeito tranquilizador imediato.
  4. Evitem comparações: o filho mais novo, os primos ou mesmo vocês, não tiveram medo disso ou daquilo, mas isso não vai fazer o medo desaparecer. Pior, pode até aumenta-lo, já que as comparações são uma forma de diminuir a autoestima da criança.
  5. Dizer: “Vamos! Seja Corajoso! Enfrente seu medo!” pode transformar o medo em terror e piorar ainda mais a situação.
  6. Evitem os filmes, desenhos e livros que trazem histórias de terror. A imaginação da criança pode trazer essas histórias para a realidade dela e então o que era ruim, pode ficar pior.
  7. Deixem claro para os pequenos que o Lobo Mal só existe na história da Chapeuzinho Vermelho, assim como a bruxa má da Branca de Neve.
  8. Jamais amedrontem seus filhos para controla-los. Dizer: “Não saia na rua, pois o homem do saco vai te levar embora!” vai ajudar vocês a controla-los, porém não vai educar. O mais adequado é explicar os reais perigos que existem nas ruas e por isso eles não devem sair sozinhos. Afinal, a realidade já é amedrontadora o suficiente, não?
    O que se pretende alcançar com essas atitudes, é que a criança consiga dominar seus medos e nunca ser dominada por eles. Como foi dito acima, ele é um sentimento natural e importante para o desenvolvimento do ser humano, desde que não seja patológico. Se identificar terror ou pânico, vale a pena consultar um psicólogo para orientar pais e filhos na superação do problema.

Para saber mais, leiam também: "Como lidar com os medos infantis"por Clarissa Passos, IG São Paulo.
E vejam o vídeo “Como lidar com o medo nas crianças” com a Psicóloga Daniella Faria

Nas "Dicas de Leitura", O Grande Livro do Medo vem recheado de histórias!




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