segunda-feira, 25 de abril de 2016

MEU FILHO NÃO COME!



    Quando eu era criança, não gostava de comer quase nada. Lembro que minha mãe ficava maluca tentando descobrir o que eu gostaria de comer, mas eu era totalmente seletiva, só comia ovo, arroz, farinha de mandioca, e uma sopa pronta famosa na época, Campbell’s, precursora do macarrão instantâneo e das sopas de saquinho que temos hoje.

Enfim, passou-se o tempo e eu me tornei uma adulta que adora brócolis, cenoura, agrião e até jiló! Portanto mães, não se desesperem! Sua criança pode seguir o mesmo caminho que eu segui. 

Eu sei, por experiência própria, que quando se trata da alimentação de um filho, especialmente o primeiro, o desespero é inevitável. Lembro-me que quando meu filho Bruno tinha por volta de 2 anos (hoje ele  tem 9), eu dizia para o pediatra que ele não comia e ele me respondia: - "Deixa ele comigo uma semana que você vai ver que ele vai comer. Sem iogurte, sem mamadeira, sem biscoitinhos, ele vai sentir fome e vai comer."

    Na época eu me sentia agredida com aquela fala, mas hoje eu compreendo: as crianças querem comer aquilo que estão vendo na TV, na internet ou nos folhetos de supermercados. E então, são tantos biscoitos cheios de gordura, salgadinhos, pães, embutidos, enfim, um amontoado de alimentos pobres em nutrientes saudáveis e ricos em açúcares, sódio, colesterol e etc. Comem pouca ou nenhuma fruta, verdura e legume. E como hoje os pais não querem frustrar seus filhos, acabam cedendo aos seus desejos alimentares (e todos os outros).

    Dentro deste contexto, eis que surgem alguns tipos curiosos de mães:

·         As mães culpadas: essas mães imaginam que os filhos não comem por culpa delas, e se martirizam em todas as refeições por conta disso. Dizem aos filhos: coma ou eu me mato!
·         As mães ansiosas: preparam uma refeição já sabendo que os filhos não vão comer. Durante o preparo do almoço já ficam imaginando o que preparar para o jantar. Estão sempre achando que seus filhos estão subnutridos, apesar de estarem corados e saudáveis.
·         As mães neuróticas: são aquelas que alimentam seus filhos com um chinelo na mão. Dizem a eles: coma ou eu TE mato! Usam colheres para não correrem o risco de ferir os pequenos. Geralmente elas montam o prato com a quantidade de comida suficiente para um adulto e fazem os filhos comerem tudo.
·         As mães “nem aí”: preparam a comida, colocam no prato e deixam a criança sozinha vendo TV. Algum tempo depois recolhem o prato, com ou sem comida, e pronto.
·         As mães workaholics: essas trabalham tanto que só sabem se os filhos comeram ou não através da agenda escolar, quando a escola tem condições de informar, ou pela babá. No jantar, usam os imãs de geladeira para que cada membro da família escolha o que comer, ou, se não tem dinheiro suficiente pra isso, limitam-se a preparar um macarrão instantâneo, pronto em 3 minutos – tempo demais para quem não tem tempo pra nada.
·         As mães fit: essas se preocupam com a alimentação dos filhos. Compram alimentos frescos e evitam os industrializados. Não dão a eles balas, refrigerantes, sucos de caixinha e nem nada que seja comprado pronto. Fazem questão das refeições em família e dedicam tempo a elas. O problema é que, com tantas restrições, quando a criança vai numa festinha de aniversário, se acaba no brigadeiro.

    Identificou-se com alguma delas? Independente da sua resposta, não se preocupe. Cada um tem seu jeito próprio de criar os filhos, o que não significa que o seu é o certo e o meu é o errado, ou vice e versa. O que importa é colocarmos amor em tudo o que fazemos a eles, seja na alimentação ou em qualquer outro cuidado que temos. 

    Falaremos mais a respeito da alimentação das crianças num próximo post... Até lá, uma questão para pensar: você já levou sua criança para te ajudar no preparo dos alimentos? 


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