sexta-feira, 29 de abril de 2016

Brincando de... desenhar!!

A maioria das crianças adora desenhar, isso todo mundo sabe. O que nem todo mundo conhece, são os benefícios dessa “brincadeira”.
Desenhar aguça a criatividade, desenvolve a coordenação motora, a percepção, além de ser um importante aliado na expressão das emoções. O desenho ainda pode ser a ilustração de uma história criada pela criança que, ao contá-la, está desenvolvendo sua linguagem oral e a sequência lógica dos fatos.
Crianças pequenas, até os 2 ou 3 anos, desenham ainda sem controle motor, fazem rabiscos, tecnicamente chamados de garatujas. Entre 3 e 4 anos, os desenhos começam a tomar forma, e com a aquisição da linguagem, elas começam a nomear suas produções. Já respeitam melhor os limites do papel. Mas a grande evolução dessa fase é que as crianças já conseguem produzir a forma humana, com pernas, braços, cabeça e tronco, ainda sem grandes detalhes, mas reconhecíveis. Dos 4 aos 5 anos, os desenhos clássicos começam a ser produzidos: casinhas, árvores, sol, nuvens, e as crianças emprestam elementos humanos a essas formas, como colocar olhos e boca no sol por exemplo. É a chamada antropomorfização. As formas humanas ganham mais detalhes como cabelos, olhos, boca, nariz e orelhas, os braços e pernas são acrescentados de mãos e pés, e as cores são usadas com mais alternância. Essa fase pode se estender até os 7 ou 8 anos de idade. Dos 5 aos 6 anos, os desenhos passam a ter sua própria história, e os personagens aparecem agora vestidos. As crianças ficam mais atentas a detalhes como as cores. Entre 7 e 8 anos, a noção de perspectiva aparece e os desenhos já dão a impressão de profundidade e distância. O uso do espaço é melhor utilizado, e o julgamento da criança com relação a suas produções passa a ser marcante, ou seja, algumas crianças deixam de desenhar se acham que seus desenhos não ficam bons o suficiente.
É importante dizer que, em qualquer dessas fases, os elogios são essenciais. Se uma criança de 3 anos fez um desenho que não parece com nada, e ela diz que é um cão, cabe aos adultos o julgamento adequado para essa fase, e elogiar é sempre o melhor a se fazer.
Quem leu “O Pequeno Príncipe” de Saint-Exupery, deve se lembrar desse trecho:
Mostrei minha obra-prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes fazia medo. 



Responderam-me: Por que é que um chapéu faria medo? Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jiboia digerindo um elefante. Desenhei então o interior da jiboia, a fim de que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre necessidade de explicações. Meu desenho número 2 era assim :
        As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jiboias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor. Eu fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando.”

Logo, valorizar a produção da sua criança vai incentivá-la a continuar desenhando, cada vez mais e melhor.

Observe as emoções contidas em cada desenho. Muito provavelmente, algum acontecimento que deixou a criança aborrecida pode não ser dito, mas desenhado. Alguns terapeutas utilizam os desenhos como forma de compreender as emoções das crianças, já que elas muitas vezes não conseguem nomear seus sentimentos. Educadores pedem às crianças que façam desenhos de si mesmas para observarem como está sua autoimagem, assim como sua autoestima. Além de divertido, desenhar pode ser instrumento de avaliação e grande auxiliar no desenvolvimento das crianças.

Ofereça a sua criança papel, lápis diferentes, canetinhas, giz de cera e observe sua evolução. Estimule-a a falar sobre suas produções, a contar a história de seus desenhos e desenhe junto com ela! 

E para saber mais sobre o assunto, leia:

Livro: A formação dos símbolos na Infância. (Piaget, Jean - PUF, 1948)



Desenho de Bruno Sales de Fon Amor, à época com 4 anos, feito ao saber que sua mãe estava grávida.

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