quarta-feira, 6 de julho de 2016

População honesta, governo corrupto?

'Não existe país com governo corrupto e população honesta'. Declaração foi feita pelo historiador da Unicamp (SP) Leandro Karnal. Para o especialista, a ética deve começar pela família e pela escola.

Acabo de ler esta matéria, e isto me rendeu uma vasta reflexão. (Leia na íntegra no site G1). Como a população brasileira quer exigir um governo honesto e ético, se diariamente comete pequenas (ou grandes) desonestidades?
Outra matéria também no G1, fala sobre o professor de uma universidade do Paraná que resolveu fazer um teste de honestidade: colocou um freezer com picolés dentro, sem vendedor, e então a pessoa teria que pegar o sorvete e depositar o dinheiro na urna ao lado. Muitas pessoas pegaram o picolé e não pagaram. Um estudante declarou: “Quem rouba um sorvete pode facilmente roubar a merenda das crianças ou milhões da saúde e da educação”.
E é a mais pura verdade. Não há corrupção do bem ou do mal, grande ou pequena. O sujeito que é corrupto age em causas pequenas ou grandes, dependendo da oportunidade.  
Algumas situações vêm se tornando tão corriqueiras, que as pessoas pensam que são normais:
- Pegar um atestado médico sem estar doente para descansar uns dias.
- Pedir “emprestado” um comprovante de endereço de um conhecido para levar vantagem em alguma coisa.
- Fraudar um comprovante de trabalho para conseguir vaga na escola pública em tempo integral e passar o dia na academia.
- Valer-se de favores de pessoas mais influentes para conseguir passar à frente de outras.
- Copiar trabalho acadêmico da internet ao invés de desenvolver o seu próprio.
- Bater ponto no lugar do colega de trabalho que precisou dar uma saidinha.
- Oferecer dinheiro para não ser multado no trânsito.
- Comprar CD/DVD piratas.
- Vender (ou comprar) votos.
- Deixar as crianças comerem coisas dentro do supermercado e não pagar.
Enfim, eu poderia passar horas listando essas situações que muitos chamam de “jeitinho brasileiro”, mas que no fundo fazem parte das pequenas corrupções do dia a dia. (Alguns desses exemplos fazem parte de uma campanha da Procuradoria Geral da União intitulada “Pequenas Corrupções – Diga Não”, lançada em junho de 2013).
Que exemplos temos dado aos nossos filhos? Que governo queremos para o nosso país?
Você pode estar pensando: Corrupto, eu? Isso é característica de políticos! Mas vamos ao significado da palavra: Corrupção é o efeito ou ato de corromper alguém ou algo, com a finalidade de obter vantagens em relação aos outros por meios considerados ilegais ou ilícitos. Se voltar aos exemplos citados acima, verá que apesar de parecerem inocentes ou compreensíveis, tais atitudes se encaixam perfeitamente ao significado da palavra.
Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, “ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso? Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve”.
De acordo com esse pensamento, precisamos olhar para as nossas atitudes e refletir: temos agido com honestidade, ética e retidão?
Se quisermos uma mudança nesse país, é preciso que ela comece dentro de nós, na escola e na família. Ao repensar nossa forma de agir, estaremos colaborando para que essa mudança aconteça verdadeiramente, primeiro perto de nós, através do nosso exemplo, e em seguida na sociedade como um todo. Reflita!


Veja em "Análise de Livros" a resenha do livro "Valores - 15 valores individuais para crescer", para trabalhar também a ética com as crianças.
Este e outros títulos você poderá encontrar e adquirir no site Book Lovers Kids - Criando apaixonados por livros desde cedo.

2 comentários:

  1. Ou se ê honesto ou desonesto não existe meio termo.

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  2. Para refletir mesmo!!! A mudança tem que acontecer primeiramente perto de nós, com nossos exemplos....

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