As fábulas são pequenas
histórias, cujas personagens são geralmente animais, e que trazem uma lição de
moral. Os animais representam tipos humanos como o ingênuo, o egoísta ou o
orgulhoso. Este tipo de narrativa é um dos mais antigos que existem. Temos
registro de fábulas escritas desde Esopo (século IV a. C.), Fedro (15 a.C. - 50
d.C), do francês La Fontaine (Séc. XVI) até os contemporâneos brasileiros
Monteiro Lobato e Millôr Fernandes.
Por seu teor moral, as
fábulas são um importante auxílio na educação das crianças. Cada história traz
em si os valores e a ética que precisamos ensinar aos pequenos desde muito
cedo, através de histórias curtas e cheias da fantasia própria das crianças. Um
bom exemplo é a fábula “A menina e o leite”, de La Fontaine (leia na íntegra
abaixo). Nesta narrativa, uma menina caminha para a cidade para vender o leite
de sua vaquinha, e perdida em seus planos em torno do que fará com o dinheiro
do leite, acaba tropeçando e derrubando tudo. Moral da história, não adianta
contar com o que ainda não possuímos, ou ainda, o velho ditado: não adianta
chorar o leite derramado. Há ainda a fábula contemporânea “Maria vai com as
outras”, de Sylvia Orthof, que mostra a importância de termos nossas próprias
opiniões.
Como podemos perceber, além
de divertir, as fábulas trazem ensinamentos valiosos, através de exemplos
claros em torno daquilo que podemos ou não fazer, de como agir ante as
adversidades que existem aos montes no convívio humano. É, acima de qualquer
coisa, uma lição de ética e cidadania, tão imprescindíveis e tão raras nos dias
de hoje.
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Leia para as crianças:
A menina e o leite
A menina não cabia em si de felicidade. Pela primeira vez
iria à cidade vender o leite de sua vaquinha. Trajando o seu melhor vestido,
ela partiu pela estrada com a lata de leite na cabeça.
Enquanto caminhava, o leite chacoalhava dentro da lata.
E os pensamentos faziam o mesmo dentro da sua cabeça.
"Vou vender o leite e comprar uma dúzia de
ovos."
"Depois, choco os ovos e ganho uma dúzia de
pintinhos."
"Quando os pintinhos crescerem, terei bonitos galos
e galinhas."
"Vendo os galos e crio as frangas, que são ótimas
botadeiras de ovos."
"Choco os ovos e terei mais galos e galinhas."
"Vendo tudo e compro uma cabrita e algumas
porcas."
"Se cada porca me der três leitõezinhos, vendo dois,
fico com um e ..."
A menina estava tão distraída que tropeçou numa pedra,
perdeu o equilíbrio e levou um tombo.
Lá se foi o leite branquinho pelo chão.
E os ovos, os pintinhos, os galos, as galinhas, os
cabritos, as porcas e os leitõezinhos pelos ares.
Não se deve contar com uma coisa antes de consegui-la.
(La Fontaine)
Maria vai com as outras
Era uma vez uma ovelha chamada Maria. Onde as outras
ovelhas iam, Maria ia também. As ovelhas iam para baixo, Maria ia também. As
ovelhas iam para cima, Maria ia também.
Um dia, todas as ovelhas foram para o Pólo Sul. Maria foi
também. E atchim! Maria ia sempre com as outras.
Depois todas as ovelhas foram para o deserto. Maria foi
também.
– Ai que lugar quente!
As ovelhas tiveram insolação. Maria teve insolação
também. Uf! Uf! Puf!
Maria ia sempre com as outras.
Um dia, todas as ovelhas resolveram comer salada de
ervilhas. Maria detestava ervilhas. Mas, como todas as ovelhas comiam ervilhas,
Maria comia também. Que horror!
Foi quando de repente, Maria pensou: “Se eu não gosto de
ervilhas, por que é que eu tenho que comer salada de ervilhas?”. Maria pensou,
suspirou, mas continuou a fazer o que as outras faziam.
Até que as ovelhas resolveram saltar do alto do monte
para dentro da lagoa. Todas as ovelhas saltaram. Saltava uma ovelha, não caía
na lagoa, caía na pedra, quebrava o pé e chorava: “mé!”. Saltava outra ovelha,
não caía na lagoa, caía na pedra e chorava: “mé!”.
E assim quarenta e duas ovelhas saltaram, quebraram o pé,
chorando “mé, mé, mé”! Chegou a vez de Maria saltar. Ela recuou, entrou num
restaurante e comeu uma feijoada.
Agora, “mé!”, Maria vai para onde caminha o seu pé.
Adaptado por CPinto do conto de Sylvia Orthof


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