quarta-feira, 27 de julho de 2016

Fábulas para crianças - da origem à importância

As fábulas são pequenas histórias, cujas personagens são geralmente animais, e que trazem uma lição de moral. Os animais representam tipos humanos como o ingênuo, o egoísta ou o orgulhoso. Este tipo de narrativa é um dos mais antigos que existem. Temos registro de fábulas escritas desde Esopo (século IV a. C.), Fedro (15 a.C. - 50 d.C), do francês La Fontaine (Séc. XVI) até os contemporâneos brasileiros Monteiro Lobato e Millôr Fernandes.
Por seu teor moral, as fábulas são um importante auxílio na educação das crianças. Cada história traz em si os valores e a ética que precisamos ensinar aos pequenos desde muito cedo, através de histórias curtas e cheias da fantasia própria das crianças. Um bom exemplo é a fábula “A menina e o leite”, de La Fontaine (leia na íntegra abaixo). Nesta narrativa, uma menina caminha para a cidade para vender o leite de sua vaquinha, e perdida em seus planos em torno do que fará com o dinheiro do leite, acaba tropeçando e derrubando tudo. Moral da história, não adianta contar com o que ainda não possuímos, ou ainda, o velho ditado: não adianta chorar o leite derramado. Há ainda a fábula contemporânea “Maria vai com as outras”, de Sylvia Orthof, que mostra a importância de termos nossas próprias opiniões.
Como podemos perceber, além de divertir, as fábulas trazem ensinamentos valiosos, através de exemplos claros em torno daquilo que podemos ou não fazer, de como agir ante as adversidades que existem aos montes no convívio humano. É, acima de qualquer coisa, uma lição de ética e cidadania, tão imprescindíveis e tão raras nos dias de hoje.
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Leia para as crianças:

A menina e o leite

A menina não cabia em si de felicidade. Pela primeira vez iria à cidade vender o leite de sua vaquinha. Trajando o seu melhor vestido, ela partiu pela estrada com a lata de leite na cabeça.
Enquanto caminhava, o leite chacoalhava dentro da lata.
E os pensamentos faziam o mesmo dentro da sua cabeça.
"Vou vender o leite e comprar uma dúzia de ovos."
"Depois, choco os ovos e ganho uma dúzia de pintinhos."
"Quando os pintinhos crescerem, terei bonitos galos e galinhas."
"Vendo os galos e crio as frangas, que são ótimas botadeiras de ovos."
"Choco os ovos e terei mais galos e galinhas."
"Vendo tudo e compro uma cabrita e algumas porcas."
"Se cada porca me der três leitõezinhos, vendo dois, fico com um e ..."
A menina estava tão distraída que tropeçou numa pedra, perdeu o equilíbrio e levou um tombo.
Lá se foi o leite branquinho pelo chão.
E os ovos, os pintinhos, os galos, as galinhas, os cabritos, as porcas e os leitõezinhos pelos ares.
Não se deve contar com uma coisa antes de consegui-la.
(La Fontaine)


Maria vai com as outras

Era uma vez uma ovelha chamada Maria. Onde as outras ovelhas iam, Maria ia também. As ovelhas iam para baixo, Maria ia também. As ovelhas iam para cima, Maria ia também.
Um dia, todas as ovelhas foram para o Pólo Sul. Maria foi também. E atchim! Maria ia sempre com as outras.
Depois todas as ovelhas foram para o deserto. Maria foi também.
– Ai que lugar quente!
As ovelhas tiveram insolação. Maria teve insolação também. Uf! Uf! Puf!
Maria ia sempre com as outras.
Um dia, todas as ovelhas resolveram comer salada de ervilhas. Maria detestava ervilhas. Mas, como todas as ovelhas comiam ervilhas, Maria comia também. Que horror!
Foi quando de repente, Maria pensou: “Se eu não gosto de ervilhas, por que é que eu tenho que comer salada de ervilhas?”. Maria pensou, suspirou, mas continuou a fazer o que as outras faziam.
Até que as ovelhas resolveram saltar do alto do monte para dentro da lagoa. Todas as ovelhas saltaram. Saltava uma ovelha, não caía na lagoa, caía na pedra, quebrava o pé e chorava: “mé!”. Saltava outra ovelha, não caía na lagoa, caía na pedra e chorava: “mé!”.
E assim quarenta e duas ovelhas saltaram, quebraram o pé, chorando “mé, mé, mé”! Chegou a vez de Maria saltar. Ela recuou, entrou num restaurante e comeu uma feijoada.
Agora, “mé!”, Maria vai para onde caminha o seu pé.

Adaptado por CPinto do conto de Sylvia Orthof


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