sexta-feira, 3 de junho de 2016

Irmãos – nossos primeiros (e eternos) melhores amigos

     Rivalidades, disputas, implicâncias, dramas... Sim, a relação entre irmãos é cheia dessas intempéries. Mas essa também é uma relação de amor e amizade eternos.             Quem tem irmãos jamais se sente sozinho. E estando distantes, sentem a falta até das brigas e discussões. Um irmão é a única pessoa que vai conseguir partilhar de coração as alegrias e os conflitos da sua família. Ele vai te irritar em certas ocasiões e você vai desejar ser filho(a) único(a) para sempre. Mas ele também vai sofrer junto com você diante de cada dificuldade. É um amor bipolar: te amo e te odeio seguem juntos dia após dia.
    É na relação com os irmãos que as crianças começam a aprender a dividir, a partilhar, a disputar um brinquedo, a expor suas opiniões e lutar por elas. É com os irmãos que aprendem a proteger uns aos outros, a omitir alguns deslizes para salvar o outro da bronca dos pais, a praticar a tolerância, a solidariedade e o perdão.
    Existem diversos tipos de irmãos: o irmão caçula, o irmão mais velho, o irmão do meio, o irmão gêmeo e o irmão adotivo.  Atualmente, com a mudança nas estruturas familiares, ainda temos: os filhos do mesmo pai e da mesma mãe, os filhos da mesma mãe e de pais diferentes e os filhos do mesmo pai e de mães diferentes. Cada um tem algumas características bem peculiares e apesar de serem criados da mesma forma, apresentam comportamentos diferentes.
    Diante dos conflitos da infância, pais e mães se aborrecem por não verem nos filhos a relação harmoniosa e feliz com que sempre sonharam. É na infância que normalmente as crianças irão disputar o amor e a atenção dos pais e tentarão impor suas diferenças e sua personalidade. Vão brigar por seu espaço, por sua individualidade, por sua privacidade.  Mas é também na infância que os irmãos vão brincar juntos, ter crise de riso diante da cara feia dos pais, vão guardar segredos, fazer coleções de objetos, brincar de guerra de travesseiro a noite, enfim, como tudo na vida, há o lado bom e o lado nem tão bom assim.
    Mas existem algumas dicas para os pais melhorarem essa relação:

  • Se a disputa ou discussão estiver sob controle, não interfira, apenas observe.
  • Caso perceba que haverá agressão física, cubra-se de autoridade e interfira sim.
  • Ensine as crianças a expor suas opiniões e a dialogar. Às vezes a briga foi por um mal entendido apenas.
  • O respeito ao espaço do outro e aos seus objetos é de fato muito importante, e isso deve ser ensinado pelos pais desde que as crianças sejam bem pequenas.
  • Estimule as crianças a fazerem coisas juntas, desde brincadeiras e passeios, até atividades da casa como cuidar do animal de estimação da família, retirar os pratos da mesa ou organizar o quarto.
  • Encoraje os pequenos a serem carinhosos e gentis com os irmãos: dar beijo de bom dia, de boa noite, desejar boa sorte na prova, cuidar quando estiver doente, e até ceder a vez para o irmão de vez em quando.
  • Exija que peçam perdão uns aos outros. Ensine que todos podem errar, que faz parte do aprendizado, mas que é nosso dever pedir perdão quando magoamos ou aborrecemos alguém.
  • Jamais delegue autoridade aos irmãos mais velhos sobre os mais novos. O dever de educar é dos pais, irmãos estão no mesmo nível de hierarquia e, portanto, um não pode mandar no outro.

    É importante lembrar que os irmãos irão conviver intimamente por muito tempo, e que possuem cada qual a sua personalidade e um desejo comum que é a preferência do amor dos pais. Essas questões podem levar a conflitos e disputas que, se não forem bem administrados pelos pais, podem acabar por transformar irmãos em eternos adversários. Cabe aos pais a condução dessa relação, transformando essas disputas em competições saudáveis e equilibradas, a fim de satisfazer suas necessidades emocionais.

“Além de saudáveis, as disputas são importantes, pois ensinam a administrar os sentimentos relativos a perdas e ganhos, apontam limitações e modos de tentar superá-las, mostram as questões em que têm maior facilidade e a forma de valorizá-las, promovem alianças, ensinam a dividir, compartilhar e a solidarizar-se (Britto, 2002)”.


Nota pessoal: quando nasci, meu pai, que ficou viúvo muito jovem, já tinha duas filhas, Kátia e Rosana, 11 e 10 anos mais velhas que eu, respectivamente. Elas estão nas minhas melhores lembranças da infância. Por serem bem mais velhas que eu, não havia muitos conflitos nem disputa por espaço ou objetos. Éramos felizes juntas. Cresci no anseio de não ser vista e nem me sentir apenas uma meia-irmã. Quando completei 9 anos, minha mãe, meu pai e eu nos mudamos para outro Estado, e deixei minhas irmãs a quase 500Km de distância. Sofri muito por me separar delas, mas a nossa relação permaneceu forte e cheia de afeto como sempre foi. Hoje, nossa diferença de idade não parece grande, e somos mais do que irmãs: somos companheiras, cúmplices, estamos juntas apesar da distância. Acabei me sentindo meio caçula, meio filha única (por parte da minha mãe), e confesso que a metade “filha única” sempre me entristeceu. Às minhas irmãs queridas dedico o post de hoje e toda a minha gratidão e afeto.

Veja com seus filhos: Irmãozinho – Palavra Cantada



"Ter um irmão é ter, pra sempre, uma infância lembrada com segurança em outro coração."
Tati Bernardi

(veja em "Análise de Livros" a coleção "Diário de aventuras da Ellie", uma adolescente que convive com seu irmãozinho Ben Ben em clima de amor e guerra)






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